domingo, 15 de fevereiro de 2026
Sustentabilidade

Alegre critica concessão do Parque Cachoeira da Fumaça

Vitória News 27/11/2025 13:44

Moradores, lideranças locais e ambientalistas se reuniram em audiência pública, em Alegre, para criticar o plano do governo estadual de conceder à iniciativa privada a gestão de seis unidades de conservação, entre elas o Parque Estadual da Cachoeira da Fumaça, localizado entre Alegre e Ibitirama, na região do Caparaó. O encontro foi promovido pela Comissão de Proteção ao Meio Ambiente da Assembleia Legislativa, a pedido da deputada Iriny Lopes, e reuniu cerca de 150 participantes no Auditório da Ufes, no câmpus de Alegre.

Durante o debate, Iriny apresentou um panorama das concessões previstas pelo Decreto Estadual 5409-R/2023, que instituiu o Programa Estadual de Desenvolvimento Sustentável das Unidades de Conservação (Peduc). Para ela, trata-se de um processo de privatização que deve ser interrompido e rediscutido com participação da sociedade e do Parlamento.

Entre os parques incluídos no programa estão Cachoeira da Fumaça (Alegre), Forno Grande e Mata das Flores (Castelo), Paulo César Vinha (Guarapari), Pedra Azul (Domingos Martins) e Itaúnas (Conceição da Barra), com concessões previstas por 15 anos e possibilidade de renovação.

Especialistas também criticaram o projeto. O biólogo Hugo Silva Cavaca alertou para a redução do prazo de elaboração do plano de manejo e disse que a proposta favorece o turismo de massa, em detrimento da preservação do bioma. Ele defendeu a revogação do Peduc por não envolver audiências públicas e por ignorar comunidades tradicionais e povos originários.

A professora da Ufes, Luceli de Souza, destacou a biodiversidade local, especialmente abelhas nativas essenciais para a polinização e geração de renda por meio do mel. Para ela, a concessão ameaça o equilíbrio ecológico da área. Já a bióloga Andressa dos Santos detalhou as intervenções previstas, como hotel, restaurante, tirolesa, passeios e centro de eventos, que podem comprometer o ecossistema do parque.

Representantes indígenas também se manifestaram. Jheisy, do povo Puri, leu um manifesto denunciando a falta de consulta às comunidades tradicionais, afirmando que o projeto coloca em risco territórios, saberes e modos de vida.

A plateia ampliou o debate mencionando outras preocupações ambientais no estado, como o impacto sobre quilombolas no norte, o avanço do sal-gema, a situação indígena em Minas Gerais e o movimento de plantadores de água, reforçando a necessidade de proteger ecossistemas diante da crise climática.

A mesa da audiência contou com biólogos, professores, lideranças indígenas e a vereadora de Alegre Renata Alves, além da deputada Iriny Lopes.

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