domingo, 15 de fevereiro de 2026
Economia

Von der Leyen diz estar confiante em acordo UE-Mercosul em janeiro; Macron coloca em dúvida

FolhaPress 19/12/2025 12:58

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou nesta sexta-feira (19) que está confiante que o bloco conseguirá o apoio necessário para aprovar o acordo com o Mercosul em janeiro do próximo ano.

A previsão era que o tratado fosse assinado neste sábado (20), na reunião do bloco sul-americano em Foz do Iguaçu (PR), mas Von der Leyen anunciou o seu adiamento para o próximo mês, pois o bloco formado por França, Itália, Hungria e Polônia se mostrou contrário à assinatura.

Com isso, foi viabilizado uma minoria de bloqueio capaz de rejeitar a aprovação do acordo no Conselho da UE —quatro países que correspondam a mais de 35% da população do bloco.

"Entramos em contato com nossos parceiros do Mercosul e concordamos em adiar um pouco a assinatura", afirmou Von der Leyen, acrescentando que estava "confiante" de que haveria uma maioria suficiente para fechar o acordo em janeiro.

Foi decisivo para o adiamento uma conversa telefônica entre o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni. Horas antes de Von der Leyen anunciar o adiamento, o presidente declarou em Brasília que Meloni italiana havia lhe dito que era a favor do tratado, mas que precisava equacionar a pressão do setor agrícola de seu país antes de aprová-lo.

"Ela apenas está vivendo um certo embaraço político por conta dos agricultores italianos, mas que ela tem certeza de que é capaz de convencê-los a aceitar o acordo. Ela pediu para que, se a gente tiver paciência, de uma semana, 10 dias, de, no máximo um mês, a Itália estará junto com o acordo", disse o petista durante a entrevista de fim de ano em Brasília.

Na quarta-feira (17), Lula tinha ameaçado desistir definitivamente do acordo caso houvesse adiamento. Em nota oficial, o gabinete de Meloni em Roma confirmou a conversa, trocando o prazo comentado por Lula por um "em breve". Segundo o comunicado, foi "reiterado também ao presidente do Brasil, Lula, que o Governo Italiano está pronto para assinar o acordo assim que forem fornecidas as respostas necessárias aos agricultores". Essas respostas, segue a nota, "dependem das decisões da Comissão Europeia".

O Parlamento Europeu aprovou na terça-feira (16) o texto do acordo com cláusulas para atender as reivindicações francesas em benefício dos seus agricultores. Porém, o presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou na quinta que o tratado aprovado pelos parlamentares ainda não era o suficiente para ter o respaldo francês.

"Quero dizer aos nossos agricultores, que manifestam claramente a posição francesa desde o início: consideramos que as contas não fecham e que este acordo não pode ser assinado", disse. Nesta sexta, Macron afirmou que é muito cedo para dizer se o adiamento de um mês será suficiente para atender às condições estabelecidas pela França.

Macron, que tem pressionado por garantias mais fortes para proteger os agricultores, afirmou esperar que a UE e as nações do Mercosul aprovem em janeiro medidas para garantir que as importações sul-americanas atendam às mesmas exigências que as europeias. Isso tornaria o pacto um "novo" acordo Mercosul-UE, segundo ele.

O acordo, que começou a ser negociado em 1999, tem o potencial de criar um mercado comum de 722 milhões de pessoas, com economias que juntas somam US$ 22 trilhões, segundo o governo brasileiro.

Petróleo e derivados são os produtos mais exportados pelo Mercosul à União Europeia, que por sua vez vende principalmente produtos medicinais e farmacêuticos a Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

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