A inteligência artificial deixou de ser uma promessa de futuro e passou a fazer parte do presente corporativo. Ela está inserida em processos seletivos, análises de desempenho, atendimento ao cliente e decisões estratégicas. No entanto, à medida que se torna mais acessível, cresce também um fenômeno preocupante: o deslumbramento com a tecnologia.
O fascínio pela IA faz com que muitos profissionais acreditem que ela é infalível. Essa crença cega representa um risco real. A IA é poderosa, mas também falha. Ela comete erros, cria informações imprecisas e apresenta dados com aparência de verdade que nem sempre correspondem à realidade.
Recentemente, um caso chamou atenção: uma profissional foi demitida após publicar informações falsas na mídia, baseando-se exclusivamente em pesquisas feitas com inteligência artificial. Ela não conferiu as fontes, não validou os dados e acabou comprometendo sua credibilidade. Esse episódio ilustra o perigo de delegar completamente o pensamento à tecnologia.
Confiar sem questionar é abrir mão da responsabilidade sobre o que se produz. A checagem, a análise crítica e o discernimento continuam sendo papéis exclusivamente humanos. A IA pode sugerir caminhos, mas cabe a nós decidir se são confiáveis.
O verdadeiro risco para a empregabilidade está em como utilizamos essas ferramentas. Profissionais que apenas reproduzem o que a tecnologia entrega tendem a perder relevância, pois não agregam valor além do que o algoritmo oferece. Por outro lado, quem domina a IA, compreende seus limites e a utiliza de forma estratégica tende a se destacar.
Nas empresas, o uso inadequado da IA pode gerar ruído, decisões equivocadas e impactos na reputação. Automatizar processos sem preparo e sem revisão humana cria uma falsa sensação de produtividade, mas reduz a qualidade e aumenta o risco de erro.
Usar a inteligência artificial de forma inteligente exige atenção, verificação e responsabilidade. É fundamental checar as informações, compreender o contexto e manter o controle sobre o que é produzido. A IA deve apoiar o trabalho humano, e não substituí-lo.
À medida que a tecnologia avança, o diferencial estará na maturidade de quem a utiliza. Em um cenário de excesso de informação e velocidade digital, manter a clareza de pensamento e o senso crítico será o maior sinal de competência profissional.