domingo, 15 de fevereiro de 2026
Opinião Pública

Educar para o futuro: aprendizados de uma experiência na COP30

04/12/2025 15:56
Participar da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) é viver uma experiência que ultrapassa qualquer expectativa. Estar diante de líderes mundiais, pesquisadores, educadores e organizações que dedicam suas vidas ao enfrentamento da crise climática é sentir, quase como um peso no ar, a urgência que o planeta nos impõe. Para quem vive a educação no cotidiano, essa urgência pulsa ainda mais forte: somos nós que ajudamos crianças e adolescentes a imaginar — e construir — o mundo que virá. Cada escolha feita hoje, por menor que pareça, carrega o poder de moldar o futuro. Foi com esse espírito que levamos ao mundo a mensagem de que, na Escola Pedro Apóstolo, educação e sustentabilidade caminham lado a lado, como princípios inseparáveis. Em apenas cinco anos, e sempre de mãos dadas com alunos, professores e gestores, estruturamos um processo de ensino-aprendizagem guiado pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que se consolidaram como um dos pilares mais potentes da nossa prática pedagógica. Os resultados são concretos e inspiradores: 38 toneladas de carbono deixaram de ser emitidas, 40 toneladas de materiais foram recicladas e quase 96% do uso de plástico foi eliminado — mais de 30 toneladas que não foram parar no planeta. Esse compromisso consistente despertou reconhecimento internacional e rendeu à instituição um lugar no painel da RTCC na COP30. Ali, mostramos que a educação tem força para gerar impactos reais quando forma crianças capazes de pensar, agir e transformar. A apresentação, realizada no dia 11 de novembro, trouxe um simbolismo especial, pois foi construída junto com os próprios alunos: 90 estudantes escreveram cartas que viajaram até Belém em parceria com Ocean Pact a bordo de dois veleiros — um gesto carregado de significado, que une consciência ambiental e protagonismo juvenil. As cartas foram recebidas em uma cerimônia ao lado da Família Schurmann e entregues a representantes de diversos países, como China, Estados Unidos, Colômbia, Ilhas Marshall e Comores, além de autoridades como a Princesa da Bélgica, Maria Esmeralda, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e a ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet. Ao longo da conferência, ecoou a percepção de que a educação é vista, globalmente, como um dos pilares para um planeta sustentável. A escola não é apenas um local para transmitir conceitos; ela é o espaço onde nascem o pensamento crítico, a curiosidade científica e a capacidade de intervir na realidade. É ali que se compreende o funcionamento do clima, as consequências dos hábitos cotidianos e a importância de cada gesto para preservar o meio ambiente. Outro aprendizado poderoso é que grandes transformações começam nos detalhes. Diversos projetos apresentados na COP mostraram como pequenas mudanças nas rotinas escolares — da gestão de resíduos ao uso inteligente de energia — podem gerar impactos expressivos. E é essa visão que transforma a escola em um verdadeiro laboratório vivo de sustentabilidade. Na Escola Pedro Apóstolo, iniciativas como o Programa Desconto Sustentável, o uso de energia 100% renovável, a reciclagem de livros didáticos, a compostagem dos resíduos, o recolhimento de óleo de cozinha e tampinhas plásticas mostram que práticas simples podem mover montanhas. Além é claro do trabalho contínuo com os ODS`s (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável) são objeto de pesquisa e ação no processo de ensino-aprendizagem de todos os alunos da escola, dos três aos catorze anos. Esses exemplos reforçam que, quando os estudantes participam da criação das soluções — propondo ideias, liderando ações e avaliando resultados — eles se tornam protagonistas e multiplicadores de um novo modo de estar no mundo. Por isso, nosso principal projeto é justamente esse: ensinar e capacitar nossos jovens por meio dos ODS, em iniciativas que se transformam em pesquisas acadêmicas e, mais profundamente, em uma mudança de consciência e de postura diante dos desafios que o planeta enfrenta. Dessa jornada, saímos com caminhos cada vez mais claros para fortalecer uma cultura sustentável dentro e fora da escola: tornar a sustentabilidade um eixo transversal do currículo, incorporar práticas de gestão ambiental, investir na formação contínua dos educadores, estimular o protagonismo estudantil e criar parcerias com a comunidade. Participar da COP30 reafirmou uma convicção essencial: a escola é um dos espaços mais poderosos de transformação do mundo. Ensinar sustentabilidade é preparar cidadãos para desafios urgentes — e, sobretudo, é formar pessoas comprometidas com um futuro possível. Cada gesto conta. E é dentro da escola, no cotidiano compartilhado, que esses gestos ganham forma, sentido e força para ecoar muito além dos muros e alcançar o planeta inteiro.
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