Durante a pandemia da Covid-19, quando o lockdown em várias regiões da China afetou operações portuárias e cadeias de suprimentos, ficou evidente para os Estados Unidos e União Européia a vantagem de transferir seus empreendimentos na Ásia para países geograficamente mais próximos. E, preferencialmente, nações onde predominem os valores da cultura ocidental.
Nesse contexto, o México como país fronteiriço com Estados Unidos tem sido beneficiado com crescentes investimentos americanos. O que ocorre de forma mais significativa quanto mais se intensifica a guerra comercial EUA x China. Entretanto, a questão dos imigrantes que ingressam nos Estados Unidos via fronteira com o México tende a gerar, cada vez mais, dissonâncias entre os dois países
Já a onda migratória na União Européia tende a se tornar uma bomba relógio à medida que agentes do terrorismo se infiltram entre os imigrantes que fogem dos conflitos e da pobreza em seus países de origem.
Impactados com a disparada dos preços da energia, os europeus também estão muito preocupados com a eleição americana em novembro próximo. Pois se Donald Trump for eleito a tendência dos Estados Unidos, cansado de guerras, deverá ser pelo isolacionismo. Assim sendo, a partir daí, os europeus terão que se defender sozinhos.
No Oriente Médio, grupos terroristas, mesmo com forças desproporcionais, afrontam o Estado de Israel que hoje gasta 1 bilhão de reais por mês com suas ações militares contra o Hamas e Hezbollah. Neste território basta uma fagulha para explodir esse barril de pólvora o que poderá acontecer se o conflito entre Israel e Hamas escalar envolvendo países da região: principalmente o Irâ.
Em apoio ao Hamas e com base no Iêmen, rebeldes Houthis atacam no Mar Vermelho forçando os navios mercantes a contornar o Cabo da Boa Esperança, inflacionando os fretes e as mercadorias transportadas por via marítima, modal já agravado com as limitações de mobilidade no Canal do Panamá.
A insegurança se espalha por outras regiões em nível global com as ameaças da Coréia do Norte à Coréia do Sul e Japão, esse último destino de milhares de brasileiros que para lá imigraram, buscando um futuro mais promissor. E até mesmo ao norte da América do Sul a Guiana Inglesa passou a estar em sobressalto devido à pretensão da Venezuela sobre suas reservas de petróleo.
Na Ásia, a China tendo a anexação de Taiwan por idéia fixa faz constantes manobras militares no entorno da ilha. O que lança incertezas sobre o transporte marítimo na costa sul chinesa em caso de conflito bélico: mais um contratempo para a economia mundial.
Em um mundo que mais parece um campo minado, o Brasil se apresenta como porto seguro para o capital de investimento internacional. Sua condição de neutralidade, como o fato de estar situado a mais de dez mil quilômetros das zonas de conflitos bélicos, permite ao país se manter no radar dos investidores mas é necessário ampliar visibilidade sobre as vantagens comparativas e competitivas da nação brasileira. O que requer uso de marketing inteligente e comunicação eficiente, como fazem, com reconhecida competência, os Estados Unidos, União Européia, Índia e Japão.