domingo, 15 de fevereiro de 2026
Opinião Pública

Inclusão LGBTQIAPN+: não basta apenas uma ação pontual, é necessário comprometimento

19/06/2025 14:27
O mês de junho é marcado pelo Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAPN+, uma data que celebra o orgulho de existência e resistência da comunidade e relembra o marco de um um dos principais movimentos civis: a revolução de Stonewall. Segundo o IPEA, atualmente, cerca de 10% da população brasileira se identifica como lésbica, gay, bissexual, transexual, queer, intersexo, assexuado, pansexual ou não-binárie, embora haja uma significativa subnotificação por causa do estigma social. Porém, ainda existem grandes desafios para a criação de políticas públicas e ações afirmativas de sensibilização e conscientização que visem diminuir os ciclos de exclusão enfrentados por  pessoas LGBTQIAPN+, principalmente quando se trata do mercado de trabalho. Uma pesquisa realizada Pacto Global em 2024 mostrou que a discriminação no mercado de trabalho é uma das principais dificuldades encontradas pela comunidade LGBTQIAPN+ e o fator que mais contribui para a vulnerabilidade social e limitação das oportunidades de emprego para o grupo no Brasil. Desde o processo seletivo, com vieses inconscientes, até o convívio pós-contratação, existe um despreparo por parte das organizações em incluir de fato  pessoas LGBTQIAPN+ e torná-las pertencentes à cultura corporativa e ao ambiente de trabalho. Essa é uma realidade que tem desafiado o mercado de trabalho formal e impactado diretamente a comunidade LGBTQIAPN+, que segue encontrando barreiras para colocação e desenvolvimento profissional. Uma pesquisa realizada pela Center for Talent Innovation apontou que 61% dos gays e lésbicas já esconderam sua sexualidade por medo de perder uma oportunidade de trabalho. Outro levantamento feito pela Antra mostrou ainda que apenas 4% das pessoas trans e travestis estão inseridas no mercado de trabalho formal. Para transformar a realidade nas empresas, o primeiro passo é o diálogo. Antes de tudo, as organizações precisam priorizar a criação de ambientes seguros para conversas construtivas sobre preconceito e LGBTfobia. Não basta apenas uma ação pontual no mês de junho, é necessário um comprometimento efetivo que envolve mudança nas políticas internas, educação e sensibilização, além do monitoramento e transparência nos indicadores de diversidade. Isso porque as corporações detêm um poder significativo de transformação, não somente nos espaços corporativos, mas também em toda a sociedade. Por isso, é importante pensar sobre algumas frentes que são aliadas fundamentais para combater a discriminação no ambiente de trabalho e impulsionar a carreira de pessoas LGBTQIAPN+ nas empresas:
  • Políticas internas transparentes e rigorosas: é essencial a elaboração e divulgação de políticas antidiscriminatórias que incluam explicitamente a proteção contra LGBTfobia. Paralela a essa ação, a criação de canais seguros e confidenciais para denúncias de discriminação e assédio. Caso haja o descumprimento das normativas internas, é importante a aplicação de sanções efetivas, independente do nível ou cargo, demonstrando o comprometimento com o respeito à diversidade.
  • Processos seletivos inclusivos: outro fator é o desenvolvimento de programas de estágio e trainee específicos para pessoas LGBTQIAPN+ e a estruturação de processos seletivos com foco em equidade, trazendo a inclusão de metas de diversidade nos indicadores de contratação.
  • Apoio ao desenvolvimento de carreira: após a contratação, é preciso incluir essas pessoas e investir em programas de mentoria e desenvolvimento de carreira, especificamente voltados para esse grupo minorizado. Da mesma forma, garantir a igualdade de oportunidades para que a progressão e avaliação profissional dessas pessoas colaboradoras seja justa e imparcial.
  • Ambientes seguros e acolhedores: para que a implementação dessas políticas internas sejam efetivas é necessário assegurar e estimular cada vez mais a escuta ativa e a empatia entre as equipes, além de garantir justiça e equidade por meio do monitoramento contínuo e correção de eventuais desigualdades.
Essas frentes podem ser implementadas quando há uma liderança verdadeiramente engajada com o tema. Sem o comprometimento ativo da alta liderança, sendo referência e inspiração para a promoção da diversidade, as demais pessoas também terão pouco comprometimento com as ações. Por isso, a capacitação da liderança, que poderá fomentar a conscientização de forma consistente dentro de uma empresa, é altamente necessária. Assim as organizações poderão colher os resultados positivos ao longo do processo: mais inovação, menos conflitos, maior segurança psicológica e, consequentemente, maior faturamento, produtividade e engajamento das equipes.
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