segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
Economia

Meloni diz que não apoiará acordo entre UE e Mercosul nas condições atuais

FolhaPress 17/12/2025 16:43

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, disse nesta quarta-feira (17) que seria "prematuro" para a União Europeia assinar um acordo comercial com o Mercosul e que não dará o seu aval na votação que deve ocorrer nesta quinta-feira (18) ou sexta-feira (19).

Falando ao Parlamento italiano antes de uma reunião de cúpula da UE, ela afirmou que o acordo precisa de garantias adequadas de reciprocidade para o setor agrícola.

"O governo italiano sempre foi claro ao dizer que o acordo deve ser benéfico para todos os setores e que, portanto, é necessário abordar, em particular, as preocupações de nossos agricultores", afirmou Meloni, dirigindo-se à Câmara Baixa do Parlamento.

Ela declarou que seria "prematuro" assinar o acordo antes que um pacote adicional de medidas a ser acordado com a Comissão da UE para proteger os agricultores seja totalmente finalizado, acrescentando que o acordo precisava de garantias adequadas de reciprocidade para o setor agrícola.

"Devemos esperar até que essas medidas sejam finalizadas e, ao mesmo tempo, explicá-las e discuti-las com nossos agricultores", comentou. Meloni acredita que as condições podem ser alcançadas no início do ano que vem.

O pedido de adiamento já fora defendido pelo presidente da França, Emmanuel Macron, na semana passada. Nesta terça, ele voltou a reiterar ser contrário ao acordo e promete se opor "fortemente" a qualquer tentativa da União Europeia de forçar a assinatura do acordo.

O aval da Itália é considerado decisivo para a aprovação do texto que passou no Parlamento Europeu nessa terça-feira (17). O acordo precisa ter o aval do Conselho da UE, que tem os 27 países-membros. Além de França e Itália, Polônia e Hungria declararam oposição ao tratado, o que deixa próximo de uma minoria de bloqueio antes inimaginável no conselho.

Para barrar uma proposta no fórum, que funciona como um colegislador e é formado por ministros dos 27 integrantes do bloco, é preciso reunir ao menos quatro países e uma fatia correspondente a 35% da população da UE. O quarto país deve ser a Itália.

Se Áustria e Irlanda, que já expressaram simpatia pela posição francesa, aderirem à minoria, muito provavelmente a Dinamarca, que ocupa a presidência temporária da UE, não submeteria o acordo à votação na quinta, acatando o pedido de adiamento.

Havia a expectativa de que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, viajasse para o Brasil neste sábado (20) para assinar o acordo, alcançado há um ano depois de 25 anos de negociações com o bloco formado por Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai.

Para tentar convencer os franceses a aceitarem o acordo, o Parlamento Europeu aprovou o texto na terça-feira (17) com as salvaguardas pedidas para amenizar a intransigência da França, principal opositora do tratado.

A Casa adotou uma regra mais severa que a proposta formulada pela Comissão Europeia. Bruxelas lançará uma investigação se a flutuação nos preços de mercadorias sensíveis for maior do que 5%, contra 10% do texto inicial. Será exigido também que os produtos do Mercosul sejam sancionados se não cumprirem com os exigentes padrões sanitários e ambientais do bloco.

O lado sul-americano tem interesse no acordo pelos produtos agrícolas, enquanto o lado europeu se interessa pela exportação com tarifas mais baixas ou zeradas de veículos, máquinas, serviços e vinhos.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas