O investimento automotiva somará R$210 milhões ao longo dos próximos três anos para desenvolver tecnologias inéditas no país, incluindo motores a etanol, aço de baixa pegada de carbono, sensores radar automotivos e soluções com grafeno. Os recursos são do Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover) e de empresas do setor, com 85,5% em aportes não reembolsáveis.
As propostas foram selecionadas pela chamada Projetos Estruturantes, conduzida pela Embrapii e pelo Senai, responsáveis pela captação dos recursos. Os projetos reúnem montadoras, siderúrgicas, startups e instituições de ciência e tecnologia, que atuarão em desenvolvimento industrial e nacionalização de tecnologias estratégicas.
Segundo a gerente de Operações de Inovação e Tecnologia do Senai, Patricia Garcia Martins, os projetos aumentam a autonomia tecnológica do país, especialmente na digitalização. Hoje, 90% das soluções utilizadas são importadas. Com as entregas previstas em três anos, os componentes poderão ser incorporados pelas montadoras e criar novas cadeias de fornecedores nacionais, reduzindo custos e prazos e gerando empregos.
As iniciativas também têm impacto ambiental e econômico. Tecnologias mais eficientes, como motores a etanol, reduzem o consumo de combustível e as emissões, fortalecendo o uso de um recurso limpo que o Brasil produz em larga escala. A descarbonização siderúrgica, por sua vez, utiliza hidrogênio e matérias-primas renováveis para reduzir CO₂ na fabricação de aço.
A seguir, os quatro projetos aprovados:
Motor a etanol de alta eficiência
Desenvolve motores com alta taxa de compressão, combustão ultra-pobre e ignição distribuída, criando um bloco mais resistente e sustentável. O investimento é de R$48,8 milhões, reunindo Volkswagen, Stellantis, General Motors, Hyundai e outras empresas.
Aço de baixa pegada de carbono
O projeto descarboniza o processo siderúrgico com hidrogênio e matérias-primas renováveis, instalando infraestrutura inédita no Hemisfério Sul. O aporte chega a R$76,8 milhões, com participação de Usiminas, CSN, Mercedes-Benz e Stellantis.
Radar automotivo nacional
Cria uma solução ADAS com radar automotivo de médio e longo alcance, planta piloto, integração com câmeras e arquitetura aberta. O projeto receberá R$41,9 milhões e envolve Stellantis, Volkswagen, Valeo e outras empresas.
Hub do grafeno
Estrutura um hub tecnológico nacional para nanocompósitos aplicados a peças automotivas mais leves e sustentáveis. O valor chega a R$42,2 milhões, com participação de Toyota, Ford, General Motors, Hyundai e dezenas de fabricantes e fornecedores.