PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS) - A indústria gaúcha projeta uma queda de US$ 905,7 milhões nas exportações para o mercado americano em 2026 caso a tarifa implementada pelo governo Donald Trump permaneça no patamar atual.
Apesar disso, há expectativa de crescimento de 0,8% no PIB industrial em 2026 e de criação de 46 mil empregos. Os dados estão no balanço anual da Fiergs (Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul), divulgado nesta terça-feira (9) na sede da entidade em Porto Alegre.
Segundo o economista Giovani Baggio, as exportações do setor poderiam alcançar US$ 2 bilhões em um cenário sem restrições de vendas aos Estados Unidos, mas devem ficar em US$ 1,1 bilhão com a cobrança vigente.
"A gente tem uma dificuldade bem grande de conseguir avançar na liberação das taxações. Os Estados Unidos flexibilizaram o que era importante para eles. Agora, vai ser mais difícil dar um passo adicional", disse Baggio.
Ele projeta que o PIB industrial para 2025 tenha um aumento de 2,0% ante 2024, mesmo com os prejuízos do tarifaço e com a queda estimada de US$ 252 milhões em exportações entre agosto e novembro deste ano em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Nos quatro primeiros meses do tarifaço, as quedas mais acentuadas foram registradas nos setores de tabaco (-67,5%), produtos de metal (-56,8%), madeira (-49,8%), máquinas e equipamentos (-31,3%) e coureiro-calçadista (-16,5%).
De acordo com o presidente da Fiergs, Claudio Bier, é preciso que o estado tenha bons resultados na agricultura para garantir um PIB positivo e beneficiar outros setores, dentre eles a indústria. "Nos últimos cinco anos nós tivemos quatro secas e uma enchente", disse Bier.
A entidade projeta que o PIB gaúcho cresça 1,6% em 2025, abaixo da previsão de 2,1% para o país. O desempenho mais fraco é resultado de uma retração de 4,7% na agropecuária, impactada pela estiagem. Já para 2026, a projeção é de uma recuperação do agro e um aveanço do PIB estadual em 2,9%.
O economista da Fiergs disse que fatores positivos apontam para as expectativas de crescimento modesto mesmo com as tarifas prevalecendo, dentre eles a estabilização de novos mercados de exportação na Ásia e na Argentina, o consumo aquecido e a implementação de investimentos privados em celulose, tecnologia, energia e aeronáutica no estado.
Outra possibilidade, segundo o presidente da entidade, é a esperança em uma reversão ou alteração nas tarifas vigentes no próximo ano. "O que está acontecendo de bom é que os dois presidentes estão conversando", afirmou Bier sobre o encontro recente entre Trump e Lula.