SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O fundador e presidente da Petz, Sergio Zimerman, classificou como um "remédio aceitável" a decisão do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) de aprovar, com restrições, a fusão da empresa com a Cobasi.
A união das duas grandes redes de megalojas com venda de produtos e serviços para pets dá origem a um negócio com faturamento de R$ 6,5 bilhões em 2024 e mais de 500 unidades. O Cade, no entanto, determinou a venda de 26 lojas do grupo no estado de São Paulo, que representam 3,3% da receita bruta nos 12 meses encerrados em setembro.
"A gente esperava a manutenção da decisão da Superintendência, mas respeitamos a decisão do tribunal. Foi um remédio que eu diria aceitável", afirmou Zimerman à reportagem nesta quarta-feira (10). O empresário reiterou que as bandeiras devem ser mantidas em separado e que a conclusão da fusão acontece ainda este ano.
Também nesta quarta, dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelaram uma queda acelerada no número de nascimentos no Brasil. São 40,1 milhões de crianças até 14 anos no Brasil. Em contrapartida, a população de pets cresce: 164,6 milhões de animais de estimação no ano passado, alta de 2,4% sobre 2023, segundo a Abempet (Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação. O país tem a terceira maior população pet do mundo, depois de Estados Unidos e China. Os brasileiros têm cada vez menos crianças e cada vez mais animais de estimação.
Este cenário anima o setor pet, que deve faturar cerca de R$ 78 bilhões este ano. Apesar do gigantismo, trata-se de um mercado pulverizado: 48% das vendas estão nas mãos de pequenos e médios pet shops.
Petz e Cobasi são as grandes representantes do segmento de megalojas, que representa pouco menos de 10% das vendas. Para analistas do banco BTG, "o novo grupo terá o melhor posicionamento em relação aos concorrentes físicos e às plataformas digitais de cuidados com animais de estimação, cada vez mais relevantes".
De acordo com números da Abempet, houve um avanço das vendas online nos últimos anos, onde estão competidores como a Petlove, e também das vendas de produtos pet no varejo alimentar. Já as agrolojas perderam espaço, entre 2023 e 2025.
Anunciada em abril de 2024, a fusão entre Petz e Cobasi teve sua aprovação sem restrições pela Superintendência-Geral do Cade em 2 de junho deste ano. Porém, a autarquia admitiu a Petlove como terceira interessada no processo, que passou a ser analisado pelo Tribunal do órgão.
Segundo a rival, os tutores vão enfrentar aumento de preços, uma vez que o novo grupo terá "posição monopolista em centenas de mercados no Brasil".
Zimerman refuta as acusações. "A junção é para diminuir custos, reduzir preços e beneficiar o consumidor". Segundo ele, o objetivo é fazer frente aos grandes players do mercado digital, como Mercado Livre, Shopee e Amazon. Com maior poder de barganha junto a fornecedores, o grupo Petz + Cobasi pode obter descontos e repassá-los ao consumidor, diz. "Qualquer cliente hoje tem os preços dos marketplaces na palma da mão, dá para comparar. Se aumentasse os preços, seria severamente banido do mercado."
Para a Petlove, a venda das lojas determinada pelo Cade "não é suficiente para criar um rival efetivo capaz de equilibrar o jogo competitivo", mas a companhia já sinalizou interesse em adquirir pontos dos rivais.
"A Petlove se mostra a candidata natural à aquisição dos ativos, não apenas em razão de seu porte, mas por seu posicionamento de mercado e pela sua capacidade acumulada em décadas de atuação online", disse a empresa, em petição ao Cade.
Com 19 pontos de venda em quatro estados (São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina), a Petlove nasceu no online e expandiu para a venda física.
A ação da Petz fechou o dia com alta de 4,32%, cotada a R$ 4,35. Relatório assinado pelos analistas Luiz Guanais, Yan Cesquim e Pedro Lima, do BTG, afirma que a operação resultante da fusão, com uma base de receita estimada em R$ 7,2 bilhões, "visa criar um ambiente competitivo mais racional em um mercado ainda marcado por fragmentação e penetração regional desigual".
Os analistas, no entanto, chamam a atenção para a capacidade de as duas redes capturarem sinergias no curto prazo a partir da fusão, uma vez que as operações devem se manter com bandeiras distintas -a exemplo do Grupo RD Saúde, que inspirou a operação, ao manter Droga Raia e Drogasil independentes. "[...] Em um ambiente macro que permanece desafiador, mantemos uma posição 'neutra' aguardando evidências mais claras de capacidade de execução e captura de sinergias."
No acumulado dos nove primeiros meses de 2025, a Cobasi registrou receita bruta de R$ 2,6 bilhões. A empresa, fundada em 1985 em São Paulo pela família Nassar, tem 251 lojas, em 19 estados e no Distrito Federal. Cerca de 40% das suas vendas são digitais e 0,7% vêm de serviços.
Já a Petz, criada em 2002 na capital paulista sob o nome Pet Center Marginal, está presente em 23 estados e no Distrito Federal, com 264 lojas. De janeiro a setembro deste ano, faturou R$ 3,2 bilhões, sendo que as vendas digitais representaram 42,5% do total e, os serviços, 3%.
Zimerman deve assumir o conselho de administração da nova empresa, enquanto Paulo Nassar, presidente da Cobasi, será o CEO do novo grupo.
O fundador da Petz conta que tentou ser franqueado da Cobasi antes de abrir o próprio negócio. "Como eu não entendia absolutamente nada do ramo, tentei conversar com os donos da Cobasi, porque preferia ser um franqueado deles. Só que nem fui atendido, o gerente da loja disse que eles não se interessavam pelo modelo. Aí eu fui aprender sozinho."
A Cobasi, por sua vez não tem ações em Bolsa, mas foi pioneira no conceito de megalojas com foco em produtos e serviços voltados para o cuidado de animais de estimação.
RAIO-X | PETZ + COBASI
Fundação: 2025
Sede: São Paulo
Funcionários: 14 mil
Lojas: 515
Principais marcas: Petz, Cobasi, Seres, Adote Petz, Cansei de Ser Gato, Cão Cidadão, Zee.Dog, Zoo Now, Petix, Super Secão, Atacado Pet, Mundo Pet, Pet Anjo
Principais concorrentes: Petlove, Petland, Mercado Livre, Amazon, Shopee
Receita bruta 2024: R$ 6,5 bilhões