terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
Economia

Eve, da Embraer, terá mais R$ 200 mi do BNDES para carro voador e prevê 1º voo até o começo de 2026

FolhaPress 09/12/2025 22:42

SÃO PAULO, SP E RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A Eve, da Embraer, anunciou nesta terça (9) a aprovação de um financiamento de R$ 200 milhões pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para o projeto de carro voador da empresa. A aeronave deve fazer o primeiro voo até o começo do ano que vem, segundo o CEO da fabricante, Johann Bordais.

"O protótipo de engenharia está em Gavião Peixoto [SP]. Eu posso dizer que está tudo no caminho. Esse veículo é muito importante porque a gente consegue validar nossos modelos de engenharia, todos os modelos de aerodinâmica", disse Bordais em entrevista à reportagem.

De acordo com a Eve, parte do recurso liberado pelo BNDES será destinado à preparação da aeronave para a campanha de testes. Essa fase é crucial para a obtenção do certificado da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), que permitirá a operação comercial do eVtol (aeronave elétrica de pouso e decolagem na vertical, mais conhecida como carro voador).

O financiamento também vai bancar a integração e o funcionamento dos motores elétricos da primeira aeronave de certificação. As fontes são o Fundo Clima (R$ 160 milhões) e a linha Finem (R$ 40 milhões).

O BNDES afirma que, desde 2022, já aprovou R$ 1,2 bilhão em crédito para a Eve em diferentes fases do desenvolvimento do eVtol, incluindo a construção de fábrica em Taubaté, no interior de São Paulo (a cerca de 130 km da capital paulista).

Além disso, em agosto deste ano, o BNDES anunciou cerca de R$ 405 milhões em investimento direto na subsidiária da Embraer. A operação fez parte da retomada da compra de ações de empresas pelo banco.

Apesar de o primeiro voo do protótipo estar estimado para o ano que vem, o tempo de espera até a operação comercial não será tão curto. Antes previstos para serem entregues a partir de 2026, os primeiros eVtols da Eve devem chegar aos clientes somente no fim de 2027, segundo Bordais.

Ele afirma que a empresa precisou gastar mais tempo para avaliar as tecnologias que seriam utilizadas na aeronave e garantir melhor performance do eVtol. "Às vezes é melhor demorar um pouco mais e entregar um veículo competitivo contra a concorrência. Isso fez a gente decidir postergar."

Depois do primeiro voo com o protótipo de engenharia, a Eve realizará, no ano que vem, voos com outros seis protótipos de conformidade, que são aeronaves mais semelhantes ao eVtol que será comercializado pela empresa, explica Bordais.

Até agora, a companhia possui 2.800 cartas de intenção de compra. Neste ano a Revo, operadora de helicópteros, fechou a compra de até 50 eVtols.

"Se ela será a primeira a operar, não sei. Pode ser também nos Estados Unidos. A Anac tem um acordo bilateral com a FAA [órgão regulador americano] nos EUA para aprovar quase imediatamente depois da certificação da Anac", diz.

No terceiro trimestre deste ano, a Eve registrou um prejuízo de US$ 46,9 milhões. No mesmo período do ano passado, o resultado negativo era de US$ 35,8 milhões.

Bordais afirma que a empresa está tendo gastos com pesquisa. Segundo ele, a Eve deve continuar a ter gastos com esse segmento até a certificação do projeto pela Anac. "Nós estamos no pico de R&D ["research and development", ou pesquisa e desenvolvimento]."

Em meio a uma paralisação de projetos de eVtols de outras fabricantes, Bordais diz que o mercado está se consolidando. Segundo ele, além da tecnologia e do conhecimento para desenvolver a aeronave, as finanças são um fator importante para a operação das companhias do setor.

"A partir do momento em que você tem uma nova oportunidade, você tem muitas iniciativas, mas não são todas que vão conseguir [virar realidade]", diz. "Você tem que ter o dinheiro para desenvolver o veículo, e é muito dinheiro."

Ainda de acordo com Bordais, as passagens dos carros voadores deverão ser mais caras no início, mas a expectativa é que sejam barateadas com o passar dos anos.

Nesta terça-feira (9), a Eve celebrou, com um toque de campainha, a listagem na B3 (a Bolsa de Valores de São Paulo), que ocorreu em agosto deste ano. A companhia já é listada na Bolsa de Nova York desde 2022.

RAIO-X | EVE

Fundação: 2020

Prejuízo no 3º trimestre: US$ 46,9 milhões

Carteira de intenção de compra (pré-pedidos): 2.800

Principais concorrentes: EHang, Joby Aviation, Vertical Aerospace, Volocopter e Ave Technology

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