quarta-feira, 29 de abril de 2026
Economia

EUA retiram tarifa e ampliam espaço para produtos do Brasil

Vitória News 22/11/2025 13:52

Brasil ganha competitividade com retirada da tarifa
O governo dos Estados Unidos retirou a tarifa adicional de 40% aplicada a 238 produtos agrícolas, dos quais 85 foram exportados pelo Brasil em 2024. O levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado nesta sexta-feira (21), mostra que a medida representa um avanço na agenda bilateral e torna 37,1% das exportações brasileiras ao mercado americano livres de taxas adicionais, o equivalente a US$ 15,7 bilhões.

Segundo o estudo, pela primeira vez desde agosto, o volume isento superou o das exportações submetidas à tarifa combinada de 50%, que ainda incide sobre 32,7% dos embarques. A análise considera dados de 2024 da Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos.

Na nova lista, 231 produtos passam a ter alíquota zero. Para o superintendente de Relações Internacionais da CNI, Frederico Lamego, a motivação envolve o combate à pressão inflacionária interna nos EUA e o avanço das negociações formais com o Brasil. Já o presidente da entidade, Ricardo Alban, avalia que o gesto restaura parte da posição histórica brasileira como fornecedor relevante do mercado americano.

Mesmo com o alívio, 62,9% das vendas para os EUA ainda estão sujeitas a algum tipo de tarifa adicional, incluindo as setoriais sobre aço e alumínio.

Setores mais beneficiados e impacto econômico
Entre os produtos contemplados pelo fim da taxa de 40% estão carne bovina, café e cacau, itens amplamente consumidos pelo público americano. A CNI projeta que a redução tarifária devolve competitividade aos embarques brasileiros, especialmente após a retirada da tarifa recíproca de 10%, anunciada anteriormente.

A decisão ocorre após o governo brasileiro manifestar satisfação com o gesto dos EUA e reafirmar o compromisso de manter negociações para derrubar as demais tarifas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também classificou a medida como um sinal importante e um passo relevante para aliviar custos e recuperar espaço de mercado.

No café, um dos produtos mais afetados, os Estados Unidos importaram 4,7 milhões de sacas brasileiras nos dez primeiros meses de 2025, volume 28,1% menor que o registrado no mesmo período de 2024. O Cecafé avalia que o impacto poderia chegar a 80% de perda de mercado caso as sobretaxas fossem mantidas.

Na carne bovina, apesar das tarifas, as exportações brasileiras registraram receita de US$ 1,897 bilhão em outubro, alta de 37,4% sobre o mesmo mês do ano anterior.

Frutas como goiaba, abacate, banana, manga, cacau e açaí também aparecem na lista de itens beneficiados, além de nozes, água de coco, raízes e tubérculos.

A CNI lembra que a missão empresarial enviada a Washington em setembro, com 130 representantes de diversos setores, contribuiu para acelerar o diálogo. Os setores mais prejudicados pelo tarifaço incluíam máquinas e equipamentos, madeira, café, cerâmica, alumínio, carnes e couro. Estudos da entidade apontavam impacto potencial de até R$ 20 bilhões no PIB e perda de 30 mil empregos.

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