segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
Economia

Dólar e Bolsa sobem com projeções do Banco Central e cenário eleitoral

FolhaPress 18/12/2025 18:01

CAMPINAS, SP (FOLHAPRESS) - O dólar ronda a estabilidade nesta quinta-feira (18), após o Banco Central atualizar suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) e a inflação nos próximos anos. Dados inflacionários dos EUA abaixo do esperado também impactam no pregão.

O cenário eleitoral e declarações de autoridades brasileiras ao longo do dia permanecem no radar dos investidores.

Às 14h34, o dólar à vista subia 0,03%, cotado a R$ 5,523, na contramão da véspera, quando fechou em forte alta. No mesmo horário, a Bolsa avançava 0,43%, aos 158.011 pontos, impulsionada principalmente pelos papéis da Vale e Santander.

Nesta quinta, o Banco Central projetou uma atividade econômica mais forte do que o previsto anteriormente para este (2,3%, ante 2% anteriormente) e para o próximo ano (1,6%, era 1,5), apontando ainda que a inflação deverá atingir o centro da meta de 3% apenas no primeiro trimestre de 2028, permanecendo acima do alvo durante o período decisivo de 2027.

O período é considerado chave por agentes do mercado porque passará a ser considerado o horizonte relevante para atuação da política monetária na reunião que decidirá o nível da taxa Selic no início de 2026.

Em seu Relatório de Política Monetária, a autarquia estimou que a inflação no país estará em 3,2% e 3,1 no terceiro e quarto trimestre de 2027, respectivamente. A meta, de 3%, seria alcançada no começo de 2028.

Os dados estão relacionados com a expectativa de corte de juros. Na ata da última reunião do Banco Central, divulgada na terça, o colegiado do BC afirmou que a estratégia de alta da Selic por período bastante prolongado é adequada para assegurar a convergência da inflação à meta.

No documento, o colegiado do BC disse que vem ganhando mais confiança no processo de desinflação e que tem alterado sua comunicação nesse sentido mas, seguiu defendendo maior firmeza com o juros e evitou sinalizar seus próximos passos.

"As projeções do BC afetam o preço do mercado, já que todos aguardam o início de cortes na Selic, e qual seria o tamanho e duração de um ciclo de cortes", diz Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil. Segundo ele, o relatório de política monetária diminuiu a sensação de urgência com cortes de juros.

Analistas também dizem que dados da inflação dos EUA impactam o pregão. O índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos (CPI, na sigla em inglês) subiu 2,7% em novembro na base anual, informou o Departamento do Trabalho nesta quinta-feira. Economistas consultados pela Reuters previam alta de 3,1%.

A probabilidade de manutenção dos juros no atual patamar de 3,5% e 3,75% é de 71,2%, segundo a ferramenta FedWatch, enquanto os demais 28,8% apostam em um corte de 0,25 ponto percentual.

Segundo Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos, o dado revela uma trajetória de inflexão dos preços. "O número reforça a leitura de que a inflação segue em um caminho consistente de redução. Mesmo com o Fed já tendo promovido o 4º corte de juros, esse movimento sustenta a tese de que a trajetória de afrouxamento monetário pode continuar na próxima reunião".

Reduções nos juros dos EUA costumam ser uma boa notícia para os mercados globais -e o oposto também é verdadeiro. Como a economia norte-americana é vista como a mais sólida do mundo, os títulos do Tesouro, também chamados de "treasuries", são um investimento praticamente livre de risco.

Quando os juros estão altos, os rendimentos atrativos das treasuries levam operadores a tirar dinheiro de outros mercados. Quando eles caem, a estratégia de diversificação vira o norte, e investimentos alternativos ganham destaque.

O cenário eleitoral brasileiro também está no radar dos investidores. Segundo Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos, duas questões devem continuar influenciando Bolsa e dólar nas próximas semanas. "São os juros e o arranjo eleitoral. O famoso 'Tarcísio trade' deve fazer preço na bolsa".

Uma eventual vitória do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) nas eleições de 2026, na análise do mercado, destravaria uma valorização ainda mais acentuada para a Bolsa e uma depreciação maior do dólar. É para esse cenário que os investidores vinham se posicionando, em operações que vinham sendo apelidadas de "Tarcísio Trade".

Tarcísio teria uma agenda mais avessa a aumentar os gastos públicos, o que daria mais previsibilidade sobre os rumos da economia. O aumento das despesas poderia, por exemplo, forçar uma manutenção da taxa Selic em patamares elevados, já que teria o potencial de afetar a dinâmica da inflação.

Os operadores procuram uma melhora no quadro das contas públicas do Brasil, dada a trajetória crescente da dívida em relação ao PIB -uma métrica que compara o quanto um país deve e o quanto de riqueza é produzida dentro dele. O indicador é importante para avaliar a saúde financeira e a capacidade dele de honrar dívidas.

Nesta manhã, uma pesquisa sobre as eleições de 2026 foi divulgada pela Bloomberg/AtlasIntel. O levantamento indicou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém a liderança de intenções de voto nos cenários para a eleição presidencial de 2026, enquanto Flávio tem desempenho melhor que o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), nas simulações de primeiro turno.

No cenário em que tanto Flávio quanto Tarcísio aparecem como candidatos, Lula lidera com 47,9% das intenções de voto, o senador soma 21,3% e o governador de São Paulo tem 15%. A margem de erro é de 1 ponto percentual.

Em um possível segundo turno entre Lula e Tarcísio, o presidente marcaria 49%, enquanto o governador teria 45%. Contra o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Lula marca 53%, ante 41% do opositor.

A movimentação deste mês é, na visão de Alison Correia, analista de investimentos e co-fundador da Dom Investimentos, também de realização de lucros. "Não podemos esquecer que a Bolsa chegou a se valorizar quase 35% nesse ano. É bastante coisa. Qualquer tipo de incerteza, ainda mais nessa época do ano, leva o investidor a colocar dinheiro no bolso", afirma.

Pesa, ainda, a antecipação das remessas de dividendos ao exterior. As mudanças no Imposto de Renda, que entram em vigor em 2026, aceleraram a distribuição de lucros aos sócios e acionistas de grandes empresas neste fim de ano, em um esforço para garantir a isenção dos rendimentos antes que a alíquota mínima para contribuintes de alta renda entre em vigor.

"Muitas empresas, fugindo da tributação, estão antecipando as remessas ao exterior, o que aumenta o volume de saída de dólares do país", afirma Thiago Avallone, especialista em câmbio da Manchester Investimentos.

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