SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar está em alta nesta quarta-feira (10), com o mercado atento às decisões de juros do Brasil e dos Estados Unidos.
O ambiente político também pauta as negociações após a aprovação do PL da Dosimetria na Câmara dos Deputados.
Às 16h05, a moeda norte-americana avançava 0,72%, cotada a R$ 5,476. Já a Bolsa tinha alta de 0,26%, a 158.393 pontos.
O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central e o Fed (Federal Reserve), autoridade monetária dos Estados Unidos, divulgam nesta tarde as taxas de juros brasileira e norte-americana. A data é popularmente conhecida como "superquarta".
O Fed decidiu por cortar a taxa em 0,25 ponto percentual, para a banda de 3,5% e 3,75% -em linha com as expectativas da maioria dos operadores. Trata-se da terceira redução dos juros americanos em 2025, um ano que colocou os dirigentes da autoridade monetária em uma sinuca de bico.
O banco central dos Estados Unidos trabalha com um mandato duplo, isto é, observa de perto os dados de inflação e desemprego para balizar as decisões de juros. Ao longo do ano, porém, a inflação acelerou em vez de convergir para a meta, ao passo que as contratações no mercado de trabalho caíram a ponto de gerar preocupações de uma estagnação maior na economia.
Temores em relação ao mercado de trabalho foram o motor para os dois primeiros cortes do ano -e seguiram sendo neste terceiro.
Apesar da expectativa ter sido quase unânime entre os agentes do mercado, a decisão dentro do comitê não foi um consenso. O placar foi de 9 votos favoráveis à redução de 0,25 ponto, enquanto os três votos restantes questionaram o tamanho do corte. O diretor Stephen Mirran, indicado neste ano pelo presidente Donald Trump, voltou a defender uma redução de 0,5 ponto percentual, assim como o fez na reunião anterior, enquanto Jeffrey R. Schmid se manteve favorável à manutenção da taxa. Austan Goolsbee também defendeu a estabilidade.
No Brasil, a decisão do Copom será publicada após o fechamento do mercado, por volta das 18h30. A expectativa aqui é de manutenção da taxa Selic em 15% ao ano, e os operadores seguirão atentos às sinalizações do BC sobre os próximos passos.
Parte deles espera que a autoridade monetária inicie o ciclo de cortes em janeiro; outra parte, em março.
A principal função da taxa Selic é controlar a inflação. Nesta quarta, dados do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) mostraram que a taxa em 12 meses ficou abaixo do teto da meta do BC pela primeira vez em pouco mais de um ano.
O acumulado até novembro fechou em 4,46%, ante 4,68% em outubro e expectativa de 4,49% -o teto da meta é de 4,5%, com centro em 3%. Na base mensal, o IPCA subiu 0,18%, menor leitura para o mês desde 2018 (0,21%).
"O resultado de novembro confirma um quadro benigno para a inflação. Nesse contexto, aumentam as chances de o IPCA encerrar 2025 dentro da meta, e vemos condições favoráveis para que o Copom inicie o ciclo de cortes já na reunião de janeiro. Esperamos que a comunicação da decisão de hoje traga sinais nessa direção", diz André Valério, economista sênior do Inter.
Por outro lado, o comitê afirmou em seu último comunicado que vê necessidade de uma manutenção do atual nível de juros por um período "bastante prolongado". E a taxa de desemprego, que ficou em 5,4% no trimestre encerrado em outubro, ainda está baixa, mostrando resiliência da atividade econômica.
Se o Fed diminuir a taxa e o Copom manter a Selic em 15%, aumenta o diferencial de juros entre Estados Unidos e Brasil. Esse cenário costuma ser favorável para o mercado de câmbio, à medida que investidores apostam mais na estratégia de "carry trade". Isto é: toma-se empréstimos a taxas baixas, como a americana, para investir em mercados de taxas altas, como o brasileiro. O aporte aqui implica na compra de reais, o que desvaloriza o dólar.
Além da política monetária, os investidores também monitoram Brasília. Deputados aprovaram nesta madrugada um projeto de lei que reduz as penas de condenados pela tentativa de golpe de Estado do dia 8 de janeiro de 2023 -incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), cujo período no regime fechado pode passar de quase 7 anos para 2 anos e 4 meses.
Há a leitura de que, com a possível redução da pena de Bolsonaro, aumentariam as chances de o senador Flávio Bolsonaro (PL) desistir da candidatura à Presidência em 2026. Isso colocaria na disputa novamente o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), nome favorito da Faria Lima.
Apesar da aprovação na Câmara, o projeto ainda precisa passar pelo Senado e, posteriormente, ser sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Se o texto for vetado por Lula, o Congresso ainda poderia votar pela derrubada do veto. Há ainda dúvidas sobre a postura do STF (Supremo Tribunal Federal) quanto à validade da proposta.
"A verdade é que 2026 atropelou 2025", afirmou o responsável pela área de renda variável da Criteria, Thiago Pedroso. Ele afirma que o mercado amanheceu tentando entender se o PL da Dosimetria é "moeda de troca real ou só mais um capítulo da novela Brasília 40 graus".
"O clima institucional segue pesado e qualquer ruído extra está sendo precificado quase instantaneamente."