segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
Economia

Dólar dispara e Bolsa tem forte queda em meio a ruídos políticos, com exterior no radar

FolhaPress 17/12/2025 17:00

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar está em forte alta nesta quarta-feira (17), com o mercado se posicionando com cautela diante de ruídos políticos no país.

A aversão a ativos brasileiros se dá em meio à tramitação do PL da Dosimetria no Senado, tendo as pesquisas de intenção de voto para 2026 da véspera ainda no radar. Na cena internacional, foco está voltado para decisões de juros de bancos centrais e dados dos Estados Unidos.

Às 12h42, a moeda disparava 1,03%, a R$ 5,520, estendendo os ganhos após fechar em alta de 0,82% na terça. Já a Bolsa tinha forte queda de 0,89%, a 157.155 pontos, depois de ter tombado 2,41% no pregão anterior.

A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado Federal está analisando o PL da Dosimetria nesta sessão, depois que os parlamentares rejeitaram pedidos de convocação de uma audiência pública e adiamento da votação.

O projeto de lei reduz as penas de condenados por atos golpistas e beneficia o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que pode ter o tempo de condenação em regime fechado encurtado para algo entre dois anos e quatro meses e quatro anos e dois meses, dependendo da interpretação.

Se as regras vigentes hoje forem mantidas, a estimativa é que o ex-presidente fique de 6 anos e 10 meses a pouco mais de 8 anos em regime fechado. A condenação total foi a 27 anos e 3 meses.

O senador Esperidião Amin (PP-SC) e demais integrantes da ala bolsonarista na Casa querem que o texto seja aprovado com rapidez. Como mostrou a Folha de S.Paulo, a oposição aceitou alterar o projeto depois da constatação de que ele beneficiaria presos de diversas áreas, e Amin recomendou a aprovação da proposta já com a alteração.

Agora, a discussão é sobre a necessidade ou não de uma nova análise pela Câmara diante dessa alteração no Senado. Amin e aliados afirmam que a mudança é um simples ajuste de redação e que, como o projeto já foi aprovado pelos deputados, poderia ser enviado à sanção do presidente Lula (PT) após deliberação do Senado. Caso o texto passe novamente pela Câmara, é provável que a tramitação pelo Congresso seja encerrada apenas em 2026.

Se a CCJ aprovar o texto, ele poderá ir para o plenário da Casa ainda nesta quarta. Mas, nos últimos dias, ganhou força a leitura de que a proposta pode ser rejeitada no colegiado. Aliados do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), dizem que dificilmente ele forçaria uma deliberação no plenário após uma eventual rejeição do projeto na Comissão.

O cenário adiciona uma nova camada de cautela ao mercado. Os operadores torcem para que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desista da disputa e que Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, seja o candidato da oposição nas eleições de 2026. Se o PL da Dosimetria for aprovado, na leitura dos investidores, a redução da pena de Bolsonaro em regime fechado poderá levar à desistência de Flávio na corrida pelo Palácio do Planalto.

O ruído em torno da tramitação do PL se soma ao noticiário da véspera, quando uma pesquisa Genial/Quaest mostrou Lula liderando as intenções de voto para as eleições de 2026. Tarcísio ficou atrás de Flávio nas simulações.

O governador paulista é visto por investidores como um candidato mais alinhado à agenda pró-mercado e mais competitivo do que Flávio. O senador anunciou sua pré-candidatura com o aval do pai no dia 5 de dezembro -após o anúncio, o dólar disparou para R$ 5,43 e a Bolsa recuou 4%.

Segundo Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, a leitura de que o governador Tarcísio de Freitas perde força enquanto o senador Flávio Bolsonaro ganha espaço impactou o humor dos investidores. "O mercado leu os resultados da Quaest como uma sinalização de preferência por Lula", afirma.

"Quando a Quaest sai mostrando o Lula forte, volta o medo de que não se concretize a alternância política. Por isso o mercado piorou," diz ele.

Nesta manhã, Lula realizou a última reunião ministerial do ano. Ele afirmou, no discurso de abertura, que o ano eleitoral de 2026 será o ano da verdade e que os ministros de seu governo e seus partidos terão que definir de qual lado estão.

A cena internacional também norteia as negociações. Os investidores esperam que o Banco da Inglaterra corte juros em reação à queda da inflação, levando o dólar a se fortalecer diante da libra britânica.

A moeda norte-americana também sobe ante o euro, o iene e boa parte das demais divisas, com o mercado aguardando a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos EUA, também na quinta-feira.

O indicador será mais uma referência para as apostas sobre a política monetária do Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano) no curto prazo. A probabilidade de manutenção dos juros no atual patamar de 3,5% e 3,75% é de 77,9%, segundo a ferramenta FedWatch, enquanto os demais 22,1% apostam em um corte de 0,25 ponto percentual.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas