O Brasil poderia criar 226 mil empregos diretos e indiretos e arrecadar R$ 9,9 bilhões em tributos e contribuições sociais se passasse a produzir cerca de um terço dos produtos de defesa e segurança que hoje importa. A projeção é do novo simulador de impacto elaborado pelo Observatório Nacional da Indústria, da CNI.
Segundo o levantamento, o impacto total na produção chegaria a R$ 60,9 bilhões. Atualmente, o país importa em média R$ 70,8 bilhões por ano em itens como coletes balísticos, trajes antibombas, mísseis e componentes para aeronaves militares. Os dados foram apresentados na 26ª reunião do Conselho de Desenvolvimento da Indústria de Defesa, em Brasília.
O presidente do Condefesa e da Fiesc, Mário Aguiar, afirmou que a indústria brasileira já tem capacidade para produzir armamentos, radares, mísseis e aeronaves, mas ainda depende de insumos críticos importados. Para ele, compras públicas de defesa são estratégicas para estimular a produção nacional, adensar cadeias industriais e impulsionar inovação.
A CNI aponta que mais de 90% das importações do setor têm uso militar e civil, o que amplia o potencial de desenvolvimento tecnológico em áreas como telecomunicações, aeroespacial, automotiva e cibernética. A nacionalização parcial também reduz vulnerabilidades externas e fortalece a soberania tecnológica.
O especialista da CNI Danilo Severian destaca que o fortalecimento da base industrial de defesa tem efeitos estruturantes sobre setores de alta complexidade. Para ele, adequar as compras públicas é essencial para gerar empregos qualificados, renda e elevar o patamar tecnológico do país.
Caso o Brasil produza 30% do que hoje importa, seriam abertas 123 mil vagas formais de alta qualificação. Entre elas, 6,9 mil ocupações inovativas, 2,4 mil ligadas à pesquisa e desenvolvimento, 5,3 mil para técnicos e tecnólogos e 1,2 mil para engenheiros. O especialista ressalta que esse perfil favorece a retenção de talentos e reduz a evasão de profissionais para o exterior.
Na última quarta-feira (26), a CNI e o Ministério da Defesa discutiram o Termo de Licitação Especial, modalidade de contratação que permite a compra direta de produtos estratégicos previstos na legislação. O modelo considera capacidade tecnológica da indústria nacional, transferência de tecnologia, manutenção e logística para garantir soberania e segurança ao país.