segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
Economia

Bolsa cai mais de 1,5% e dólar sobe com ata do Copom e cenário eleitoral

FolhaPress 16/12/2025 17:04

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa registra forte queda nesta terça-feira (16), com investidores repercutindo a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), na qual o Banco Central reiterou o compromisso com a meta de inflação e reforçou a estratégia de manter a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano.

O mercado também acompanha o cenário eleitoral brasileiro e o ambiente externo. Nos EUA, dados do relatório payroll de novembro, divulgados nesta manhã, mostram que o país criou mais vagas de trabalho do que o projetado.

Às 13h37, o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, caía 1,66%, a 159.779 pontos, após ter avanço de 1,06% na véspera. No mesmo horário, o dólar subia 0,79%, cotado a R$ 5,462, se beneficiando de uma maior aversão ao risco.

Nesta manhã, a ata da última reunião do Banco Central foi divulgada. Na última quarta (10), o Copom manteve a taxa básica de juros em 15% ao ano pela quarta reunião seguida, fechando 2025 com a Selic no nível mais alto em quase duas décadas

No documento, o colegiado do BC disse que vem ganhando mais confiança no processo de desinflação e que tem alterado sua comunicação nesse sentido. Apesar de reconhecer a evolução do cenário, seguiu defendendo maior firmeza com o juros e evitou sinalizar seus próximos passos.

"O Comitê reforçou que a estratégia seria de manutenção da taxa de juros por período bastante prolongado. Num primeiro momento, debatendo se tal taxa era suficiente, depois julgando que tal taxa era suficiente, e, nesta reunião, concluindo que a estratégia em curso, de manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado, é adequada para assegurar a convergência da inflação à meta", afirmou o colegiado em nota.

Segundo Gustavo Trotta, especialista e sócio da Valor Investimentos, o comunicado pressiona o desempenho da Bolsa. "A leitura central é que a política monetária está funcionando e surtindo efeito, ainda que de forma gradual. Do ponto de vista da inflação, alguns analistas já percebem que o corte de juros em janeiro não é unanimidade. Ainda existe uma divisão no mercado, e esse tom fez com que a Bolsa recuasse".

Reduções de juros costumam impulsionar a Bolsa por fortalecer ativos de renda variável. Com a Selic em alta, investimentos de renda fixa continuam atrativos, especialmente os pós-fixados.

Para Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets, a mensagem de que a Selic deve permanecer em um tom contracionista por mais tempo, mesmo com a melhora recente na inflação. "Isso é particularmente negativo para setores domésticos e alavancados, como varejo e construção civil, que sentem o custo de capital com a taxa básica mais alta".

O cenário eleitoral segue no radar dos analistas. Segundo analistas do mercado, uma pesquisa sobre a eleição presidencial de 2026 teria vazado e indicaria o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à frente do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), no primeiro turno, caso ambos mantenham suas candidaturas. O resultado tem pressionado a Bolsa e o dólar.

Tarcísio é visto por investidores como um candidato mais alinhado à agenda pró-mercado e mais competitivo do que Flávio Bolsonaro. O senador anunciou sua pré-candidatura com o aval do pai na última sexta-feira (12) -após o anúncio, o dólar disparou para R$ 5,43 e a Bolsa recuou 4%.

Otávio Araújo também menciona pesquisa Quaest divulgada na última sexta-feira, que apontou uma melhora na avaliação do governo entre deputados federais. Segundo o levantamento, a parcela dos parlamentares que avaliam o governo Lula como negativo (40%) empata tecnicamente com a dos que o consideram positivo (38%).

"A pesquisa reaqueceu o debate sobre a continuidade da atual agenda econômica e fiscal. Esse quadro mantém o mercado sensível a qualquer sinal de flexibilização do arcabouço fiscal ou de expansão de gastos, o que se traduz em maior exigência de prêmio de risco", afirma.

A agenda do dia também revelou dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos, que pesam sobre a definição do rumo da taxa de juros do Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano). O relatório de emprego payroll mostrou que a economia dos EUA abriu 64 mil postos de trabalho em novembro, acima da expectativa de analistas consultados pela Bloomberg de 50 mil postos.

A taxa de desemprego ficou em 4,6%, ante 4,4% em setembro, conforme o mercado de trabalho enfraquece em um cenário de incerteza econômica decorrente da política comercial do presidente Donald Trump.

A economia perdeu 105 mil empregos em outubro, o que reflete a saída de mais de 150 mil funcionários federais que aceitaram os programas de demissão voluntária como parte do esforço do governo Trump para reduzir o governo.

Para Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, os dados reforçam a possibilidade do Fed (Federal Reserve) não cortar juros em janeiro e acumular mais informação antes de fazer reduções. "A perspectiva de que o Fed vai adotar um ritmo mais lentos de cortes tende a favorecer os rendimentos dos títulos do tesouro americano e o dólar globalmente", diz.

A trajetória dos juros americanos está em aberto, como sinalizou o presidente do Fed, Jerome Powell, em entrevista coletiva após a decisão da semana passada. O banco central optou por cortar a taxa de referência em 0,25 ponto percentual, como amplamente esperado, para a banda de 3,5% e 3,75%.

Powell afirmou que os juros estão "bem posicionados" para responder ao que estiver por vir e que as decisões serão feitas "reunião a reunião" a partir do que indicarem os dados econômicos.

Essa postura foi lida como positiva pelos mercados, que agora observam dados e falas de autoridades do banco central à procura de pistas sobre os próximos passos. Em declarações na sexta, dirigentes afirmaram que o Fed poderia ter esperado por dados adicionais sobre a inflação e o mercado de trabalho antes de reduzir a taxa.

As falas reforçaram que as próximas divulgações macroeconômicas serão determinantes para as decisões de juros do curto prazo. Por enquanto, operadores veem 24% de probabilidade de um corte de 0,25 ponto percentual acontecer no encontro de janeiro, segundo a ferramenta FedWatch.

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