BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira (18) que a autoridade monetária não tomou uma decisão sobre um possível corte de juros na próxima reunião decisória sobre o tema, em pouco mais de um mês. Para ele, no entanto, as portas não estão fechadas para nenhum cenário, e a escolha vai depender da análise de dados.
"Não há portas fechadas nem setas dadas. Isso que eu queria expressar com minha comunicação", afirmou em entrevista à imprensa sobre o Relatório de Política Monetária do BC, divulgado mais cedo. "Entre sinalizar antes o que vamos fazer e usar o período até a reunião para reunir os dados e lá tomar a decisão, é preferível a segunda [opção]. Eu prefiro aguardar e reunir dados até lá", disse.
O presidente do BC disse que a comunicação da autoridade monetária tem adotado uma política de evitar sinais antecipados. Para ele, essa postura pode gerar diferentes interpretações no mercado, já que o BC não antecipa movimentos, mas considera essa ambiguidade parte da estratégia.
O mercado espera uma queda de juros ao longo de 2026. De acordo com mediana da pesquisa Focus, por meio da qual o BC ouve analistas de mercado, a Selic descerá do atual patamar de 15% e encerrará o ano que vem em 12,13%.
Uma das principais questões em debate entre analistas é o momento em que o BC vai iniciar os cortes, mas Galípolo evitou dar sinalizações sobre isso. A próxima decisão Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) está agendada para 28 de janeiro.
Galípolo foi questionado se as eleições e as incertezas ligadas à corrida presidencial podem afetar o processo de queda dos juros. Ele reiterou que a decisão será tomada a cada reunião considerando o conjunto dos números analisados.
"A gente está confessando que não tem decisão tomada nem para a próxima reunião. Nossa postura é que estamos reunindo dados e estamos tomando decisões a partir de cada uma das reuniões", afirmou.
Galípolo também foi perguntado sobre os efeitos do debate fiscal na condução da política monetária em meio à corrida presidencial e sobre a saída do ministro Fernando Haddad (Fazenda). Ele destacou que o processo de autonomia do BC proporcionou que as decisões sejam descompassadas do ciclo eleitoral, dizendo que só há maior preocupação quando são alteradas variáveis ligadas à inflação.
"Nosso horizonte perpassa o processo eleitoral, que só entra na nossa equação quando altera fundamentos que alteram variáveis-chave para a gente, que é a meta de inflação", disse.
Mais cedo, o BC reconheceu em relatório a possibilidade de políticas fiscais levarem a uma deterioração da percepção dos agentes, com risco de "novos efeitos na taxa de câmbio e nas expectativas de inflação, com as pressões inflacionárias decorrentes".
No documento, o BC projetou ainda uma atividade econômica mais forte do que o previsto anteriormente para este e o próximo ano, apontando ainda que a inflação deverá atingir o centro da meta de 3% apenas no primeiro trimestre de 2028.
A autarquia estimou que a inflação no país estará em 3,2% no terceiro trimestre de 2027. "O compromisso do BC é com a meta contínua de inflação de 3%, e suas decisões são pautadas para que este objetivo seja atingido ao longo do horizonte relevante de política monetária", comunicou o BC no relatório.