SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Apesar da greve dos trabalhadores dos Correios, que começou às 22h de quarta-feira (17) e teve adesão do Sintect-SP (Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios Telégrafos e Similares de São Paulo, Grande São Paulo e zona postal de Sorocaba), agências da capital paulista continuaram com seu atendimento nesta quinta-feira (18).
A Folha visitou cinco agências da região central da capital paulista, e todas funcionavam em horário normal, com fluxo comum de pessoas, segundo os próprios funcionários. De acordo com a estatal, todas as agências estão abertas em todo o território nacional.
Procurado por telefone às 14h25 e às 17h, o Sintect-SP ainda não se pronunciou.
Uma das atendentes da Agência Central dos Correios disse à reportagem que a paralisação não afetou as agências, mas que encomendas podem atrasar. Os Correios afirmam que as entregas seguem realizadas no país.
A companhia afirma que 90% do quadro de funcionários efetivos da empresa está trabalhando nesta quinta. "A empresa adotou medidas contingenciais que garantem a continuidade dos serviços essenciais à população", diz, sem especificar quais foram essas medidas.
Dos 36 sindicatos que representam os trabalhadores da estatal, 12 aderiram ao movimento de paralisação. Aderiram as centrais localizadas nos estados Ceará, Paraíba, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.
A mobilização integra a campanha pela renovação do acordo coletivo e por reajuste salarial no próximo ano. A paralisação, de acordo com os sindicatos, é uma resposta à falta de avanços nas negociações.
Segundo a estatal, após audiências de mediação, o TST (Tribunal Superior do Trabalho) apresentou, ainda na quarta-feira (17), proposta de ACT (Acordo Coletivo de Trabalho) dos Correios para o exercício de 2025 a 2027. Promessas incluem adicional de férias de 70%, reajuste da inflação, plano de saúde, licenças-maternidade e paternidade estendidas, auxílio-creche, entre outas.
A paralisação ocorre em meio a uma crise dos Correios, que acumula prejuízos crescentes desde 2022. Um conjunto de fatores deteriorou o caixa, entre eles a taxa das blusinhas, o descontrole sobre ações judiciais e a alta competição do setor, com o crescimento de outras empresas de logística.
A grave situação financeira levou a empresa a pedir mediação para flexibilizar cláusulas do acordo coletivo que garantem benefícios acima do mínimo previsto na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). Embora sejam empregados públicos, os funcionários dos Correios são regidos pela CLT, diferentemente dos servidores da administração direta, que seguem o regime estatutário.
O atual acordo coletivo prevê incentivos como gratificação maior nas férias e pagamento de hora extra tripla aos fins de semana e feriados. Parte dessas cláusulas foi incorporada recentemente, quando a empresa já enfrentava dificuldades financeiras.
Como mostrou a Folha de S.Paulo, a despesa com pessoal dos Correios deve alcançar R$ 15,1 bilhões neste ano e é apontada como um dos principais desafios do plano de reestruturação da estatal -a empresa busca fechar empréstimo para bancar o plano.