segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
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Nunes diz que ideal é manter congelado, mas não descarta aumento no valor da tarifa de ônibus de SP

FolhaPress 17/12/2025 19:07

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), disse nesta quarta-feira (17) que vai lutar para que não haja aumento real sobre a tarifa de ônibus.

"O ideal é manter a tarifa congelada. Se a gente não conseguir, que o aumento não passe da inflação [acumulada]", declarou.

A decisão ainda não está tomada, disse Nunes, que afirmou não ter recebido as planilhas sobre o custo do transporte coletivo.

"Isso vai depender dos estudos que eles me trouxerem."

O levantamento é feito pela SPTrans e costuma ser entregue depois do dia 20 de dezembro, de acordo com o prefeito.

A discussão também passa pelo governo do estado em razão da tarifa do metrô. Não são valores vinculados, declarou Nunes, "mas a gente senta para conversar até por uma questão de integração".

O titular do Executivo paulistano disse que também não há definição sobre eventual aumento do subsídio sobre a tarifa, mas sinalizou que a hipótese não está descartada.

"Vai depender desse estudo que eu vou receber. A gente ficou de 2021 a 2024 sem fazer reajuste. Quando fizemos, foi até menor do que a inflação do período", declarou.

Nunes disse, contudo, que isso passa também pela capacidade fiscal do município de arcar com um subsídio maior.

"Se tiver de aumentar o subsídio a gente aumenta, se houver capacidade no caixa, e se pudermos diminuir é bom porque usamos esses valores em outras áreas."

As declarações de Nunes foram dadas durante conversa com jornalistas em solenidade para a entrega de 140 ônibus elétricos à frota do transporte coletivo, o que segundo a administração municipal "reafirma o compromisso com a mobilidade sustentável, já que cada ônibus equivale ao plantio de 6,4 mil árvores por ano".

DISPUTA COM A ENEL

O prefeito voltou a comentar a disputa com a Enel e disse ter conversado nesta quarta-feira com o presidente da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), Sandoval de Araújo Feitosa Neto, para entender os próximos passos do processo de rescisão do contrato de concessão em São Paulo --a chamada caducidade.

"Ele me garantiu que vai fazer de tudo para termos a maior celeridade possível", disse.

A decisão pelo encerramento contratual veio após reunião entre o prefeito, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia). No encontro, afirmou Nunes, "o ministro queria fazer um grupo de trabalho e nós não concordamos. Senão seria reunião atrás de reunião".

Como mostrou a Folha de S.Paulo, a quebra de contrato de concessão da Enel está condicionada à comprovação de que a empresa não tem capacidade operacional ou financeira para gerenciar o fornecimento de energia elétrica.

Segundo Nunes, a ideia é que tanto a prefeitura como o governo estadual encaminhem documentos sobre falhas na prestação do serviço no âmbito de um procedimento aberto ainda em 2023 no TCU (Tribunal de Contas da União) que apura as interrupções no fornecimento de energia.

"É um processo que já poderia ter sido concluído."

A expectativa da administração é de, "no próximo verão, a gente já tenha uma situação de conforto para as pessoas, que a gente tenha uma outra empresa investindo, uma empresa responsável".

Mas até lá problemas ainda devem ocorrer. "Para esse período chuvoso, que vai até março, vamos continuar tendo problemas com a Enel. A gente sabe que eles não têm gente [suficiente]."

De qualquer forma o recado está dado, disse Nunes, para quem a decisão sobre a rescisão contratual, em se concretizando, "vai mostrar a todas as empresas de concessão para que fiquem atentas sobre a qualidade do serviço em todo o Brasil".

"Se não houver uma boa qualidade, prefeitos e governadores vão entrar em campo."

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