SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Fuvest mudará o modelo de redação a partir do vestibular 2026. A prova, aplicada no primeiro dia da segunda fase da USP, deixará de cobrar apenas a dissertação tradicional. O candidato escolherá entre a estrutura argumentativa e um segundo gênero narrativo, definido na própria avaliação. Ambas propostas originadas a partir de uma coletânea única de textos.
A mudança, testada em um simulado em abril, vem sendo comparada ao modelo da Unicamp, que há anos trabalha com diversidade de gêneros. Especialistas ouvidos pela Folha de S.Paulo apontam, porém, que a Fuvest não deve abrir tanto o leque quanto a universidade de Campinas.
Para o professor Ricardo dos Santos, editor de conteúdo do COC, as diferenças entre Fuvest, Enem e Unicamp existem e começam no tipo de texto pedido. Ele afirma que a USP seguirá com foco mais restrito. "Haverá só uma coletânea e um tema, mesmo com dois gêneros. A Unicamp traz propostas distintas, com contextos e direcionamentos diferentes", diz.
O Enem, por sua vez, mantém o formato mais estável, com uma única proposta de redação dissertativo-argumentativa nem exigência entre a redação e os textos motivadores.
- Enem segue rígido na dissertação.
- Unicamp cobra dois gêneros distintos e permite ao candidato escolher um deles.
- Fuvest passa a adotar um modelo intermediário, com dois gêneros, mas um único tema. "A abertura existe, mas é menor que a da Unicamp", afirma Santos.
Os temas também variam. De acordo com o professor Daniel Victor, da Organização Educacional Farias Brito, o Enem costuma propor problemas sociais que exigem solução e aparecem em frase clara. A Fuvest trabalha com conceitos mais abstratos ou reflexões filosóficas já discutiu riso, limites da arte, refugiados climáticos e "camarotização". A Unicamp tende a temas mais atuais e polêmicos, como violência armada, jogos de azar online e desigualdade de gênero.
Há diferença também na leitura da coletânea. O Enem não exige o uso dos textos motivadores na redação. Já a Fuvest e, sobretudo, a Unicamp cobram relação explícita com as informações apresentadas. A cópia é proibida nos três exames, mas a interpretação fina é mais valorizada nos vestibulares paulistas.
O perfil do candidato varia conforme o exame. Leitores constantes se saem melhor nos três, mas o repertório cobrado muda. O Enem aceita referências amplas, como filmes e séries. A Unicamp exige leitura atenta dos textos e capacidade de selecionar dados relevantes para a proposta. Já a Fuvest valoriza reflexões filosóficas, artísticas e literárias.
O professor Victor diz que a escolha do gênero na nova Fuvest dependerá do treino do candidato. "Quem se acostumou ao modelo do Enem pode optar pela dissertação. Já quem treinou narração e gêneros variados, mais próximos da Unicamp, pode preferir a segunda opção", afirma.
Segundo o professor, o importante é, durante a preparação para a prova, entender em qual desses tipos de texto está mais confiante e está tirando melhores notas nos simulados
Entre os erros mais comuns, de acordo com Victor, está aplicar a mesma estratégia nos três exames. "Modelos prontos e repertórios decorados, comuns no Enem, são penalizados por Unicamp e Fuvest, que valorizam autoria", diz. "Também há dificuldade de adaptação às reflexões abstratas da USP e à diversidade de gêneros da Unicamp."
CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO DA FUVEST:
- Desenvolvimento do tema, uso da coletânea e autoria
- Compreensão e atendimento da proposta quanto ao gênero e tipo de texto
- Recursos linguísticos (coesão e coerência) e progressão textual
- Convenções da escrita e adequação vocabular
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