Lideranças negras do Equador estão em Brasília para participar da Marcha das Mulheres Negras de 2025. O grupo afirma que a presença internacional reforça a necessidade de aprofundar e dar visibilidade às lutas das mulheres afrolatinas, afrocaribenhas e da diáspora, ampliando a articulação regional e global.
O foco das representantes equatorianas está no fortalecimento político das mulheres negras por meio do posicionamento coletivo de direitos, da recuperação da memória e da valorização das mulheres afrolatinas em diferentes espaços de decisão. Para a ativista Ines Morales Lastra, da Confederação Comarca Afro-equatoriana do Norte de Esmeraldas (Cane), a marcha é um ato de continuidade histórica. “Marcharemos para ecoar a firmeza de nossa voz e nossas demandas, porque são nossas as vozes de nossas avós”, afirmou.
Legado de Lélia Gonzalez
A Marcha das Mulheres Negras também contará com a presença de Melina de Lima, neta da antropóloga e intelectual Lélia Gonzalez, falecida em 1994. Em 10 de novembro, ela esteve em Brasília para receber, em nome da avó, o título de Doutora Honoris Causa da Universidade de Brasília. Lélia foi uma das fundadoras do Movimento Negro Unificado e referência internacional nos debates sobre gênero, raça e classe, criando conceitos como “amefricanidade” — que reúne ancestralidades africanas e ameríndias — e “pretuguês”, que destaca influências das línguas africanas no português do Brasil. Hoje, Melina atua no Instituto Memorial Lélia Gonzalez e é cofundadora do projeto Lélia Gonzalez Vive.
As meninas e mulheres negras representam o maior grupo populacional do Brasil. Segundo o Ministério da Igualdade Racial, são 60,6 milhões de brasileiras, divididas entre pretas e pardas, o equivalente a cerca de 28% da população total.
A programação completa da 2ª Marcha das Mulheres Negras e da Semana por Reparação e Bem-Viver, que segue até quarta-feira (26), está disponível para consulta.