SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Um vídeo de Wagner Moura cobrando o governo Lula sobre a regulamentação das plataformas de streaming causou polêmica.
Wagner Moura cobrou uma taxação maior às empresas de streaming. No vídeo, divulgado pelo portal Mídia Ninja, ele diz que a alíquota máxima de 4% de Condecine (Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional) é "muito pouco" considerando que o Brasil é um dos mercados mais lucrativos do mundo.
O texto atual, aprovado na Câmara, permite que as empresas reduzam o valor pago investindo em produções nacionais. Wagner Moura criticou essa possibilidade: "É um dinheiro que deveria estar indo para o fundo setorial, do audiovisual e um dinheiro que deveria estar indo para fomentar a produção independente brasileira".
Ele citou o Ministério da Cultura e o presidente Lula. "Eu queria deixar aqui esse recado para que o Ministério da Cultura do Brasil entre nesse jogo defendendo a autonomia do país nessa questão, e que o presidente Lula fique atento. Esse é um momento importante não só para o setor audiovisual brasileiro, mas para a autoestima do país, para a soberania do país", disse o ator.
Randolfe Rodrigues, líder do governo no Congresso, gravou um áudio para o ator. Segundo apuração da reportagem, ele pediu que Paula Lavigne encaminhasse a mensagem a Wagner: "É importante esclarecer à classe artística que, em 2022, nós ganhamos a eleição para a presidência da República e perdemos para o Congresso. Nós temos um Congresso desfavorável". No mesmo áudio, acrescentou: "Desculpa a revolta, mas eu não sei que mundo o pessoal está. Tem lobbies aqui. A gente conseguiu o melhor possível do texto. Infelizmente, nem tudo é exatamente do jeito que queremos, porque é esse o Congresso que temos, com enormes limitações".
Margareth Menezes, ministra da Cultura, também entrou em contato com Wagner Moura. Segundo o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, afirmou o seguinte em ligação com o ator: "A gente sabe que não vamos ter a melhor coisa, a melhor regulação, mas a gente precisa ter alguma até para promover melhoras". O contato entre os dois foi confirmado à reportagem pelo Ministério da Cultura, que até o momento da publicação deste texto não comentou o conteúdo da conversa.