SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Wagner Moura participou do "Closet Pick's", série de vídeos da Criterion Collection, empresa americana responsável pela distribuição de filmes em mídia física. Para os vídeos, diversos artistas do mundo do cinema são filmados no Criterion Closet, armário que ficou mundialmente conhecido nas redes sociais, onde os convidados escolhem uma série de DVDs e falam sobre alguns de seus filmes favoritos.
No vídeo em questão, o ator de "O Agente Secreto", filme de Kleber Mendonça Filho que foi escolhido para representar o Brasil no Oscar de 2026, comenta "Deus e o Diabo na Terra do Sol", clássico de Glauber Rocha que consagrou o movimento do cinema novo, que desafiou a ditadura militar a partir da quebra de convenções culturais da época.
"É um filme cheio de comentários sociais e um filme muito bonito. É o filme que tem o cartaz mais bonito de todos os tempos, na minha opinião", afirmou o artista. Ele também exaltou Othon Bastos, ator baiano, como ele, que estrela o longa.
Moura também citou o filme "Limite", longa experimental lançado por Mário Peixoto em 1931. O filme se tornou um dos títulos mais influentes da produção brasileira pela forma como subverte a ideia de uma narrativa tradicional. "Eu nunca vi nada como esse filme", disse o ator.
No Closet, ele encontrou "Limite" em uma coleção de DVDs selecionada por Martin Scorsese, que elogiou pela seleção criteriosa de filmes nacionais. Entre os títulos presentes na coleção, ele também falou sobre "Pixote, a Lei do Mais Fraco", filme de Hector Babenco que acompanha um garoto pouco depois de sua fuga do internato juvenil em que vive.
Moura e Babenco trabalharam juntos no filme "Carandiru", obra de 2003 que retrata a vida de prisioneiros do presídio, as suas condições e códigos e os eventos que levaram ao massacre que aconteceu em 1992.
Entre os títulos selecionados por Moura, ele também falou sobre "O Emprego", comédia italiana sobre a classe trabalhadora lançada em 1961, o cubano "Memórias do Subdesenvolvimento", que retrata a atmosfera de uma Cuba em crise, e "Rosetta", filme de 1999 dirigido pelos irmãos Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne.
"Eles são os meus diretores favoritos de todos. Eles conseguem falar sobre pessoas jovens de um jeito que ninguém mais consegue. Ele é filmado de um jeito tão realista que dialoga com a forma como os brasileiros filmavam os seus filmes no cinema novo."