SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A presidente do México, Claudia Sheinbaum, pediu nesta quarta-feira (17) que a Organização das Nações Unidas (ONU) atue para "impedir qualquer derramamento de sangue" na Venezuela. A declaração ocorreu um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar um bloqueio naval a petroleiros que entram ou saem do país sul-americano, o que aumentou a pressão sobre o regime de Nicolás Maduro.
Sheinbaum afirmou não ter visto, até o momento, uma reação das Nações Unidas à medida anunciada por Washington. "[As Nações Unidas] devem assumir seu papel para impedir qualquer derramamento de sangue e sempre buscar soluções pacíficas para os conflitos", disse a presidente, em entrevista coletiva, ao comentar a nova estratégia de pressão adotada por Trump contra Caracas.
Na terça-feira (16), Trump anunciou em sua plataforma Truth Social a imposição de um bloqueio naval a petroleiros ligados à Venezuela. Além da medida, o presidente americano afirmou que a frota dos EUA no Caribe "só continuará crescendo" até que o regime venezuelano devolva ao país "o petróleo, as terras e outros bens" que, segundo ele, teriam sido roubados.
Os EUA já haviam enviado, em agosto, uma flotilha naval à região do Caribe sob a justificativa de intensificar o combate ao tráfico de drogas. Agora, Trump afirma que o bloqueio se apoia na classificação, feita por ele, de que a ditadura de Maduro é uma organização terrorista internacional.
Segundo analistas, a mobilização militar americana na região visa pressionar a ditadura de Maduro. O venezuelano é acusado pelos EUA de tráfico internacional e de corrupção, o que ele nega.
Maduro diz que Trump tenta mudar o regime, mas que o povo e as Forças Armadas do país impedirão qualquer tentativa de derrubá-lo. O líder chavista foi empossado para um terceiro mandato neste ano, apesar de organizações internacionais independentes indicarem a vitória da oposição nas eleições que ocorreram no ano passado.
Sheinbaum afirmou que, independentemente das avaliações sobre o regime da Venezuela e a liderança de Nicolás Maduro, a posição do México é clara. Segundo ela, o país deve manter uma postura de rejeição a qualquer tipo de intervenção externa ou interferência estrangeira.
"Apelamos ao diálogo e à paz, não à intervenção, em qualquer disputa internacional. Essa é a nossa posição, baseada na convicção e na Constituição", afirmou a presidente mexicana, ao defender uma solução pacífica para a crise.
Na prática, o bloqueio anunciado por Trump deve impedir a entrada ou saída de águas venezuelanas de quase todos os cargueiros de petróleo não ligados à americana Chevron. Apesar de sanções americanas contra o setor petrolífero venezuelano, a empresa opera no país latino-americano com anuência de Washington medida adotada pelo governo Joe Biden com o objetivo de reduzir o preço de gasolina nos EUA e mantida pelo governo Trump.