Quem visita o Parque Moscoso iluminado pelo “Natal de Encantos” dificilmente imagina que, até o final do século XIX, o espaço era um pântano insalubre conhecido como Campinho, Lapa do Mangal ou Mangal do Campinho. Ali se concentravam águas paradas, lama, restos orgânicos e doenças como febre amarela e malária. A transformação dessa área problemática em um dos refúgios verdes mais emblemáticos de Vitória guarda capítulos importantes da história urbana da cidade.
No século XIX, diferentes governos iniciaram obras de aterro para conter os problemas sanitários. Em 1872, o presidente da Província, Francisco Ferreira Corrêa, já apontava o potencial do local para abrigar um passeio público que melhoraria as condições de saúde. O relatório do Serviço de Saneamento classificava o Mangal do Campinho como o maior foco de emanações pútridas da capital.
Com a chegada da República, o nome Vila Moscoso surgiu em homenagem a Henrique de Ataíde Lobo Moscoso. A área começou a ser loteada e ganhou plano de arruamento em 1895, preparando o terreno para um novo bairro. A modernização urbana avançou no governo Jerônimo Monteiro, que decidiu construir ali um jardim público inspirado nos modelos europeus.
Em 1910, o paisagista Paulo Rodrigues da Motta Teixeira foi contratado para projetar o parque. Inspirado nas ideias de Joseph-Antoine Bouvard, de Paris, ele incorporou elementos do ecletismo e do art nouveau. O resultado, inaugurado em 1912, foi um jardim com 24 mil metros quadrados, lagos artificiais, ilhas, fontes ornamentais, coreto, orquidário, pontes e alamedas sinuosas. A imprensa da época elogiou as esculturas importadas e a fonte em ferro fundido que se tornaria a Fonte Jeronymo Monteiro.
O Parque Moscoso tornou-se símbolo de elegância e convivência social. Suas alamedas recebiam o footing, apresentações de bandas, piqueniques, festas cívicas e missas campais. O entorno, já valorizado antes da inauguração, atraiu famílias de maior poder aquisitivo, com destaque para a Vila Oscarina, primeira residência da cidade com luz elétrica e telefone.
Ao longo do século XX, o parque passou por transformações. Em 1952, ganhou a Concha Acústica e a escolinha Ernestina Pessoa, únicos exemplares tombados da arquitetura moderna no Estado. Na década de 1970, recebeu muros e grades. Em 2001, a Prefeitura de Vitória iniciou ações para recuperar o projeto original de Paulo Motta, resgatando características históricas e paisagísticas.
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Parque Moscoso nos dias atuais, 2025. Foto: Jansen Lube/PMV[/caption]
Hoje, o Parque Moscoso segue como um dos espaços públicos mais queridos da capital, unindo memória, paisagem e lazer, e reafirmando seu papel como refúgio verde no coração de Vitória.