SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O presidente da Nigéria, Bola Ahmed Tinubu, declarou estado de emergência e ordenou um recrutamento adicional para as Forças Armadas do país.
Medida foi tomada ontem após uma onda de sequestros em escolas nas últimas semanas. "Hoje, em vista da crescente situação de segurança, decidi declarar estado de emergência nacional e ordenar o recrutamento adicional para as Forças Armadas. Por meio desta declaração, a polícia e o exército estão autorizados a recrutar mais pessoal. A polícia recrutará mais 20.000 policiais, elevando o total para 50.000", declarou o presidente no X.
As autoridades policiais estão autorizadas a utilizar diversos acampamentos do Serviço Nacional da Juventude como centros de treinamento, diz Bola. "Os policiais que estão sendo retirados das funções de guarda VIP devem passar por treinamento intensivo para que possam se requalificar e prestar serviços policiais mais eficientes quando forem destacados para áreas do país com problemas de segurança".
A Nigéria enfrentou uma sequência de ataques nas últimas semanas, onde dezenas de civis, incluindo estudantes, foram mortos e sequestrados. No sábado, 50 alunos, dentre as 303 pessoas que foram sequestradas em 21 de novembro numa escola católica no norte da Nigéria, conseguiram fugir do cativeiro, informou hoje a Associação Cristã da Nigéria (CAN, na sigla em inglês).
Os alunos que conseguiram escapar retornaram para suas famílias. "Os alunos fugiram entre sexta-feira e sábado e já se reuniram com seus pais, pois não puderam retornar à escola após a fuga", disse o porta-voz da CAN, o religioso Daniel Atori, em comunicado.
O porta-voz da organização disse que 265 pessoas continuam em cativeiro. São 253 crianças -incluindo 250 estudantes e três filhos de funcionários- e 12 professores, informa reportagem da CNN americana.
Na última sexta-feira, bandidos armados sequestraram 303 crianças e 12 professores do colégio St. Mary's, uma escola católica particular no estado de Níger, região centro-norte do país. Algumas das vítimas têm apenas 10 anos de idade. O ataque levou ao fechamento temporário de escolas federais e estaduais no norte da Nigéria.
ONDA DE VIOLÊNCIA ASSOLA O PAÍS
O sequestro é o mais recente de uma onda de ataques de grupos armados a populações vulneráveis. No começo da semana passada, homens armados atacaram um templo cristão no estado vizinho de Kwara, deixado dois mortos. Vários fiéis, incluindo o pastor, foram sequestrados. Os criminosos costumam orquestrar sequestros em massa para obter resgates.
Recentemente, 25 meninas foram sequestradas durante invasão a um internato feminino. A vice-diretora da escola, no estado de Kebbi, no noroeste do país, foi morta a tiros durante o ataque.
O país enfrenta ataques de diferentes naturezas. Há relatos de ataque por motivação religiosa, conflitos decorrentes de tensões comunitárias e étnicas, além de disputas entre agricultores pelo acesso à terra e a recursos hídricos. A Nigéria, país mais populoso da África, tem população majoritariamente cristã no sul e muçulmana no norte.
O presidente dos EUA, Donald Trump, alegou haver um "massacre" de cristãos por insurgentes islâmicos e ameaçou ação militar. "Sob a liderança [de Trump], [o Departamento de Guerra] está trabalhando agressivamente com a Nigéria para acabar com a perseguição de cristãos por terroristas jihadistas", escreveu no X o secretário americano de Guerra, Pete Hegseth.
Na Nigéria, os sequestros para pedir resgate são comuns. Nos estados do centro e noroeste, grupos criminosos chamados de "bandidos" aterrorizam a população há anos. O que começou como conflitos por terra e água entre pastores e agricultores virou violência ligada ao crime organizado, com esses grupos passando a controlar áreas rurais onde o governo quase não atua.
O país é afetado pela violência armada desde o aparecimento, do grupo Boko Haram, em 2009, na bacia do lago Chade, no nordeste do país. O sequestro de alunas na localidade de Chibok, em 14 de abril de 2014, foi noticiado internacionalmente. Quase 100 meninas capturadas seguem desaparecidas.