SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O sociólogo Sergio Miceli, professor da Universidade de São Paulo, a USP, que se tornou uma das principais referências no estudo da cultura brasileira, morreu nesta sexta-feira, aos 80 anos. A informação foi confirmada pela sua editora, a Todavia.
Miceli era presidente da Edusp, a editora da USP, cargo que ocupava desde 2022. À frente da instituição, defendeu o fortalecimento da produção editorial universitária e a circulação de obras acadêmicas de relevância pública.
Desde os anos 1970, seus trabalhos pioneiros abriram novos caminhos para a compreensão das relações entre cultura, política e religião no Brasil. Ao longo da carreira, lecionou na Fundação Getulio Vargas, na Unicamp e na USP, onde se tornou professor titular e formou gerações de pesquisadores nas ciências sociais.
Miceli também teve papel central na introdução e difusão do pensamento do sociólogo francês Pierre Bourdieu no país, tornando-se uma referência nos estudos sobre elites intelectuais, instituições culturais e produção simbólica.
Autor e organizador de dezenas de livros, atuou ainda como editor e coordenador de coleções em diferentes casas editoriais. Pela Todavia, publicou "Sonhos da Periferia" (2018), sobre o modernismo argentino, e "Lira Mensageira" (2022).
Em nota, a Todavia lamentou a morte do sociólogo e destacou sua atuação como intelectual, professor e editor. A reitoria da USP também manifestou pesar e solidariedade à família, aos amigos e à comunidade acadêmica.