quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026
Esportes

'Modelo da SAFiel pode ser ideal para o Corinthians', diz coautor da Lei da SAF

FolhaPress 26/11/2025 15:54

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O advogado Rodrigo Monteiro de Castro, um dos autores da Lei da SAF, destacou o potencial da Safiel de mudar o panorama do mercado da bola.

Em entrevista, o especialista apontou que a iniciativa, que visa captar recursos diretamente com a massa de torcedores do Corinthians, apresenta características que podem se ajustar perfeitamente à realidade e à dimensão do clube paulista.

Diferente de modelos tradicionais de compra por um único dono ou grupos de investimento restritos, Castro vê na Safiel uma alternativa de origem popular.

"Um projeto que é bastante interessante, que eu não sei se é o ideal, mas que a gente tem que entender que isso pode ser um caminho é um que se chama Safiel, que é um projeto que não é do Corinthians, mas é um projeto que foi desenvolvido por torcedores do Corinthians, que querem encontrar, ou melhor, oferecer um caminho para que se possa captar recursos com a torcida, de modo generalizado", diz Rodrigo à reportagem.

A principal diferença do formato para outros modelos no mercado está na pulverização do investimento. Segundo o advogado, enquanto alguns clubes buscam a segurança financeira através de poucos torcedores bilionários, a proposta alvinegra aposta no engajamento massivo da sua base.

"No caso do Corinthians, a ideia é que esses recursos venham da maior quantidade possível de pessoas. Números... 90, 100, 120 mil pessoas que destinariam pequenas parcelas para a formação da estrutura de capital de um fundo de investimento", afirma Rodrigo Monteiro de Castro.

Na prática, essa arrecadação coletiva daria origem a um fundo estruturado. Esse fundo, por sua vez, seria o responsável por dialogar com o clube social e criar uma "empresa" de futebol, garantindo uma gestão mais profissional sem entregar o controle a um único investidor externo.

"Este fundo, então, iria negociar com o Corinthians a constituição de uma SAF, de modo que os ativos viriam do Corinthians, os recursos desse fundo teriam origem em milhares, dezenas, centenas de milhares de torcedores, se estabeleceria uma governança e aí se teria aqui uma 'SAF do povo', como ela vem sendo apresentada", afirma Rodrigo.

Ao avaliar a viabilidade da proposta, o especialista reforçou que a Lei da SAF não impõe um modelo único e que o sucesso de uma operação depende do alinhamento entre o investidor e a identidade do clube. Para ele, essa "SAF do povo" tem aderência específica com o perfil do Corinthians.

Em sua análise, Castro foi otimista sobre a diversificação do mercado. Para ele, se a Safiel avançar, ela representará uma inovação significativa, abrindo portas para que outros clubes explorem caminhos além da venda tradicional para conglomerados estrangeiros.

"É o modelo ideal? Talvez seja o modelo ideal para o Corinthians e não para outro. A gente chega no que está sendo montado que me agrada muito e que acho que, dando certo, não tem por que não dar certo, pode influenciar para outros caminhos como este modelo mais ousado da Safiel, que envolve efetivamente a entrada do povo da torcida ou do povo torcedor dentro de uma estrutura", diz Rodrigo.

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