domingo, 15 de fevereiro de 2026
Exterior

Lula diz que Trump é amigo e que problemas com EUA vão se resolver

FolhaPress 18/12/2025 22:37

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, nesta quinta-feira (18), que virou amigo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e que os problemas com o americano irão se resolver.

Sobre a crise na Venezuela, Lula avaliou que é possível negociar por meio do diálogo, em vez da guerra, e que os EUA e o regime do ditador Nicolás Maduro precisam deixar claro o que querem.

O presidente afirmou estar à disposição de EUA e Venezuela para contribuir com o diálogo e disse que já conversou tanto com Trump quanto com Maduro.

"Disse para ele [Trump] que a coisa não se resolveria dando tiro, era melhor sentar em volta de uma mesa para encontrar uma solução", disse Lula em entrevista coletiva nesta quinta.

"Nunca ninguém diz concretamente por que é preciso fazer essa guerra. Não sei se o interesse é só o petróleo da Venezuela, não sei se o interesse são os minerais críticos, não sei se o interesse são as terras raras. O dado concreto é que ninguém coloca na mesa o que quer", acrescentou.

"Nós estamos conversando direitinho. Vocês podem ficar certos que tudo vai se acertar. Sem nenhum tiro, arma, bomba ou navio bloqueando a costa brasileira. Eu disse para o presidente Trump: ‘O poder da palavra é mais forte do que qualquer arma", afirmou Lula.

Na quarta (17), Lula disse ter falado a Trump que conversar é "menos sofrível" do que a guerra.

O governo americano enviou uma frota militar aos mares do entorno da Venezuela em operação militar com a justificativa de combater o narcotráfico. Além disso, Trump ordenou um bloqueio total de petroleiros sob sanção dos EUA ao redor da costa venezuelana.

O regime de Nicolás Maduro reagiu, classificando a ação dos EUA de "irracional" e "ameaça grotesca".

Apesar de sanções americanas contra o setor petrolífero venezuelano, a empresa americana Chevron opera no país sul-americano com anuência de Washington -medida adotada pelo governo Joe Biden com o objetivo de reduzir o preço de gasolina nos EUA e mantida pelo governo Trump.

Em telefonema mais recente com Trump, Lula pediu cooperação de Trump no combate ao narcotráfico internacional, sem menções diretas à Venezuela, segundo o governo brasileiro. Na mesma semana, Lula também conversou com Maduro sobre a escalada militar dos EUA contra o país vizinho.

O presidente Lula disse ainda, durante um café com jornalistas desta quinta, que se tornou amigo de Trump e mantém diálogo com o presidente.

"Todos vocês pensaram que eu iria entrar em guerra com Trump, o Trump virou meu amigo. Com um pouco de conversa, dois homens de 80 anos de idade não têm por que brigar. Nós estamos conversando direitinho e pode ficar certo que tudo vai se acertar sem nenhum tiro, sem nenhuma arma, sem nenhuma bomba, sem nenhum navio bloqueando a costa brasileira", afirmou Lula.

"Eu disse para o presidente Trump: o poder da palavra é mais forte que qualquer arma que vocês possam ter, é só saber utilizá-lo e a gente vai conseguir resolver grande parte dos problemas que a gente tem na política."

O presidente acrescentou ainda que, a cada 15 dias, toma a iniciativa de enviar uma mensagem pessoal a Trump, entre outros assuntos sobre o tarifaço aplicado contra o Brasil. "Tá faltando tal coisa, tá devagar tal coisa. O olho do dono que engorda o porco. Se eu não falo nada, ele acha que tá tudo resolvido", disse.

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