SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Justiça do Peru condenou, nesta quarta-feira (26), o ex-presidente Martín Vizcarra a 14 anos de prisão por aceitar subornos enquanto era governador regional. O político governou o país sul-americano de 2018 a 2020.
Vizcarra, que defendeu o combate à corrupção durante seu mandato, foi considerado culpado de receber subornos de empresas de construção civil enquanto era governador da região de Moquegua, no sul do país, entre 2011 e 2014.
O ex-presidente de 62 anos já havia sido preso em agosto no centro de detenção de Barbadillo, em Lima, a princípio para cumprir cinco meses de prisão preventiva. Com a decisão, o país sul-americano passou a ter quatro ex-chefes do Executivos presos.
A ordem de prisão preventiva, naquele momento, pareceu surpreender o político, que momentos antes de a audiência começar havia descartado essa possibilidade. Ele chegou a afirmar à imprensa local que isso não iria acontecer. O ex-presidente, que sempre se disse inocente, respondia em liberdade.
O Ministério Público o acusou de ter recebido subornos de 2,3 milhões de soles (R$ 3,65 milhões) em troca da concessão de obras públicas em Moquegua, no sul do Peru. O órgão afirmou que Vizcarra fazia parte de uma rede criminosa vinculada ao setor de construção. Em 2024, autoridades fizeram buscas com a polícia em duas casas do ex-presidente no âmbito da investigação.
Vizcarra, que era vice-presidente no governo anterior de Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018), ocupou a Presidência por dois anos, após a renúncia do mandatário por escândalo de corrupção envolvendo a empreiteira brasileira Odebrecht.
Kuczynski cumpriu três anos de prisão domiciliar e ainda vive sob medidas cautelares, incluindo a proibição de deixar o país.
Em 2019, Vizcarra dissolveu o Congresso e convocou novas eleições legislativas. O renovado Parlamento o destituiu em novembro de 2020, o que ocasionou protestos massivos que deixaram dois manifestantes mortos.