terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
Exterior

Entenda o que é o Terceiro Mundo citado por Trump

FolhaPress 28/11/2025 14:47

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou às manchetes ao associar o ataque de um afegão a homens da Guarda Nacional operando em Washington à imigração. Disse que iria proibir a entrada de pessoas "do Terceiro Mundo" no seu país.

Nesta sexta-feira (28), ao ser questionado pela agência Reuters sobre a quem o republicano se referia, o Departamento de Segurança Interna dos EUA mandou os repórteres checarem a lista de 19 nações cujos cidadãos têm sua entrada vetada pelos americanos.

São eles Afeganistão, Mianmar, Chade, Guiné Equatorial, República do Congo, Eritréia, Haiti, Irã, Líbia, Somália, Sudão, Iêmen, Burundi, Cuba, Laos, Serra Leoa, Togo, Turcomenistão e Venezuela.

Como se vê, é uma lista de países imersos em conflitos, marcados por pobreza ou adversários ideológicos de Washington. Em alguns casos, as duas ou três qualificações se aplicam, como no Afeganistão.

Desta forma, o "Terceiro Mundo de Trump" apenas se apropria de forma preconceituosa do termo original, que remonta à Guerra Fria.

Ele foi cunhado em 1952 pelo historiador e antropólogo francês Alfred Sauvy em um artigo na revista L'Observateur.

O acadêmico se referia à massa de países laterais nas relações internacionais, que não eram nem integrantes do centro capitalista liberal do eixo EUA-Europa, nem ao mundo socialistas comandado pela União Soviética.

Sauvy os comparava ao antigo Terceiro Estado, o povo na definição vigente à época da Revolução Francesa (1789), em oposição ao Primeiro (o clero) e ao Segundo (a nobreza).

O Brasil, por exemplo, era considerado um expoente do Terceiro Mundo. A complexidade geopolítica atual e o fim do bloco comunista, regime que subsiste apenas em cinco países mas que inclui a superpotência econômica China, tornou a definição obsoleta.

Ela foi partida em diversas subcategorias, a maior parte delas ligada à inserção econômica e à potencialidade de seus mercados para a finança internacional. Assim, surgiram termos como países em desenvolvimento ou emergentes, usualmente marcas usadas para a venda de produtos como fundos de investimento.

Mais recentemente, ganhou tração em setores à esquerda o termo Sul Global, de conotação mais política, que une países com agendas díspares, do Brasil de Lula (PT) à Rússia de Vladimir Putin.

Usualmente, o discurso deles acaba sendo percebido como antiamericano, e, apesar de pregar a isonomia nas relações globais, na prática esses países acabam orbitando mais o polo chinês da Guerra Fria 2.0, lançada por Trump em 2017 como uma reação à assertividade de Xi Jinping em Pequim.

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