SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Tribunal de Contas do Município de São Paulo suspendeu o edital de escolha da nova entidade privada gestora do Theatro Municipal de São Paulo, nesta quinta-feira (18), após o texto sofrer uma série de críticas recentes.
Entre elas, a de que o certame promovia a precarização do trabalho dos artistas e demais profissionais, além da diminuição das metas e de apresentações dos corpos artísticos. Por exemplo, o edital reduzia os programas sinfônicos da Orquestra Sinfônica Municipal de 12 para seis por ano.
A Folha de S.Paulo questionou a Prefeitura de São Paulo e com o Tribunal de Contas do Município, que não se manifestaram até a publicação desta reportagem.
Na semana passada, ocorreu um protesto na frente do Theatro Municipal, convocado pelo Sindicato dos Músicos Profissionais no Estado de São Paulo, o Sindmussp, contra o edital.
Junto da postagem de convocação pelo Sindmussp, também foi emitido um documento por parte da comissão de pais da Escola Municipal de Música de São Paulo, ligada ao núcleo de formação da Fundação Theatro Municipal, repudiando o edital e dizendo que o documento ignora questões que dizem respeito à segurança e ao bom uso do ambiente escolar.
O edital para a seleção da próxima organização responsável por gerenciar os equipamentos culturais foi anunciado no dia 1º de dezembro, e as propostas poderiam ser enviadas até 5 de janeiro. O prazo também foi considerado muito curto. Segundo fontes ouvidas pela Folha de S.Paulo, a Sustenidos, a atual gestora, poderia concorrer novamente à gestão do Theatro Municipal no edital.
RELEMBRE AS POLÊMICAS RECENTES ENVOLVENDO O THEATRO MUNICIPAL
A Justiça de São Paulo, no fim de outubro, anulou a nomeação de dois integrantes da comissão de avaliação da fundação. Um deles possuía histórico atuando como porteiro, vigia noturno e auxiliar de marcenaria. A outra pessoa era, na ocasião, um jovem de 22 anos que cursava o nono período de direito em uma universidade privada.
A pasta afirmou que promoveria "apuração interna para avaliar os critérios destas nomeações".
Em setembro, Ricardo Nunes (MDB) havia pedido o cancelamento do contrato com a organização social. O ofício enviado ao MP-SP também acusa a Sustenidos de má gestão, o que a OS nega.
A principal motivação para a denúncia foi uma decisão do Tribunal de Contas do Município de 2023, que naquela altura solicitou, por unanimidade, que a Fundação Theatro Municipal realizasse um novo edital para a escolha de uma organização social de cultura para gerir o teatro.
De um lado, a Sustenidos é acusada de ter direção artística orientada por pautas ligadas à esquerda. Do outro, vereadores conservadores, aliados a Nunes, se posicionaram contra a gestora, por uma suposta doutrinação ideológica no teatro.
No início de novembro, o contrabaixista Brian Fountain, músico da Orquestra Sinfônica Municipal, foi afastado após ter criticado, na internet, a produção da ópera "Macbeth". Em resposta à suspensão de Fountain, durante a qual ele se vê impedido de receber o seu salário, um protesto dos corpos artísticos antecipou uma récita do espetáculo que aconteceu no dia 7 de novembro.