(UOL/FOLHAPRESS) - Temendo novos protestos no Morumbis, Julio Casares decidiu 'sozinho' levar o jogo contra o Internacional, do próximo dia 3, para a Vila Belmiro, em movimento articulado sem consulta ampla e que a maior parte dos aliados só descobriu pela imprensa. À reportagem, o dirigente negou qualquer isolamento político da gestão e explicou que a decisão de mudança do local do jogo foi por critérios técnicos.
CASARES BANCOU DECISÃO
O UOL apurou que foi o próprio mandatário quem tomou a iniciativa de realocar a partida para Santos e que a decisão envolveu poucos aliados. O processo foi dito como "rápido", entre a noite de segunda e a manhã de terça-feira.
Vários dos principais partidários não estavam sequer sabendo que Casares cogitava tirar o embate do Morumbis. À reportagem, uma pessoa da gestão admitiu ter ficado "surpresa" e "sem entender" a linha de pensamento da alta cúpula.
Muitos aliados só tomaram conhecimento da decisão pela imprensa, o que irritou ainda mais a base política da alta cúpula. A palavra é de discordância geral nos bastidores seja pela linha de ação 'isolada' do presidente, que não ouviu muitos aliados, quanto pelo próprio mérito da decisão.
CRÍTICAS DA TORCIDA
Como o UOL mostrou, o principal fator motivador da decisão de Casares em retornar à Vila Belmiro foi o temor dos protestos previstos por organizadas para horas antes do embate, na frente do Morumbis. A avaliação de vários membros da situação ouvidos é que o dano político projetado pela mudança de local é maior do que pela eventual nova manifestação à gestão.
Casares vem sendo alvo de manifestações contrárias à gestão em praticamente todos os últimos jogos do São Paulo como mandante. Os três últimos uma vitória, uma derrota e um empate, na ordem, contra Juventude, Red Bull Bragantino e Flamengo já ocorreram na Vila, em meio a uma série de shows no Morumbis.
Trataram-se de protestos visíveis contra a direção: torcidas organizadas distribuíram camisas críticas, com alusão direta a dirigentes, o que gerou desconforto e preocupação com a segurança institucional.
VOLTANDO ATRÁS
Na última semana, o São Paulo conseguiu liberação da CBF para transferir o jogo contra o Internacional, inicialmente marcado para a Vila Belmiro, para o Morumbis. A palavra da alta cúpula são-paulina era de que o gramado estaria em plenas condições para receber a partida após a maratona de shows.
No entanto, na manhã de terça, o São Paulo formalizou um pedido à CBF para que a partida, marcada para o dia 3 de dezembro, volte a acontecer na Vila Belmiro. A justificativa apresentada para a troca do local é que o gramado não reuniria condições para jogo, contradizendo o próprio discurso adotado durante os dias anteriores, de que o piso estaria em condições boas.
FALAMOS COM JULIO CASARES
O UOL fez contato com o presidente Julio Casares, que contou sua versão dos fatos. Casares afirmou que não existe qualquer isolamento político na gestão e pontuou que a mudança de palco do jogo nada teve a ver com eventuais protestos, e sim com "critérios técnicos".
Segundo o mandatário, a presidência tricolor foi avisada pelo departamento que gere o estádio sobre o estado precário do gramado e do clima chuvoso para o dia do embate. Juntos, esses dois fatores poderiam comprometer o jogo e arriscar a integridade física dos atletas.
O presidente reforçou ainda não existir um racha em sua base política e que uma reunião na última semana com membros da Coalizão e que teve a presença de nomes como Carlos Belmonte, Douglas Schwartzmann, Vinicius Pinotti, Olten Ayres e outras figuras políticas importantes nos bastidores do clube definiu que o processo de sucessão da situação para as eleições do ano que vem passará primordialmente por ele.