segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
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Brasileiros buscam seguro-viagem e alerta aponta riscos ocultos

Vitória News 14/12/2025 13:50

Com a chegada do fim do ano e o aumento das viagens de férias e festas, o seguro-viagem deixou de ser visto como um gasto dispensável e passou a integrar o planejamento de muitos brasileiros. A busca pelo produto cresce impulsionada pelo receio de imprevistos com saúde, cancelamentos de voos e problemas com bagagem, além da exigência de cobertura em diversos destinos internacionais.

Estimativas do setor apontam que, apenas no último trimestre do ano, a contratação de seguro-viagem deve registrar avanço próximo de 20% em relação ao mesmo período do ano passado. A tendência, segundo especialistas, é de crescimento contínuo ao longo de todo o ano, e não apenas nos meses tradicionais de férias.

Para o advogado especialista em direito do consumidor Stéfano Ribeiro Ferri, o comportamento do viajante mudou. O seguro passou a ser encarado como parte essencial do pacote, e não mais como um custo extra. Além da cobertura médica, cresce também a procura por seguros que incluem cancelamento de viagem, alteração de datas, extravio de bagagem e planos anuais para quem viaja com frequência.

Cláusulas pouco lidas viram principal risco

Apesar da maior adesão, o especialista alerta que o maior perigo está nos detalhes ignorados pelo consumidor. Muitos contratos são assinados sem leitura atenta, principalmente quando o seguro é oferecido junto ao cartão de crédito ou por agências de viagem.

Cláusulas sobre limites de cobertura, carência, regras de reembolso e exclusões costumam passar despercebidas. Em casos de doenças pré-existentes, por exemplo, Ferri destaca que eventuais abusos podem ser contestados, já que cabe à empresa comprovar má-fé do consumidor, conforme prevê o Código de Defesa do Consumidor.

Outro ponto que tem impulsionado a procura por seguros é a insegurança jurídica em situações de cancelamento de voos. Processos que discutem responsabilidades das companhias aéreas em casos de fatores externos, como clima ou problemas operacionais, aguardam definição do Supremo Tribunal Federal. Diante desse cenário, a prevenção tem sido vista como alternativa mais prática do que recorrer ao Judiciário.

Quando o problema envolve bagagem, a responsabilidade inicial continua sendo da companhia aérea. Em voos nacionais, o prazo para localização ou indenização é de até sete dias; em voos internacionais, chega a 21 dias. Caso a empresa não resolva, o passageiro pode buscar indenização, mesmo tendo seguro contratado.

Planejamento é a melhor proteção

A alta demanda no fim do ano também impacta os preços do seguro-viagem, que tendem a subir em períodos de maior procura. O reajuste, por si só, é permitido, desde que não envolva práticas abusivas, como combinação de preços ou formação de cartel.

A orientação para o consumidor é planejar com antecedência, comparar ofertas e analisar cuidadosamente as condições do contrato. Contratar na pressa, apenas para cumprir exigências do destino, aumenta o risco de escolher uma cobertura inadequada ou pagar mais caro por um serviço limitado.

Cuidados essenciais antes de contratar

Planejar a viagem com antecedência ajuda a comparar preços e coberturas
Ler todo o contrato evita surpresas com exclusões e limites de indenização
Verificar períodos de carência é fundamental para saber quando a proteção começa
Checar se o seguro do cartão de crédito é suficiente pode evitar lacunas de cobertura
Confirmar valores de cobertura médica compatíveis com o custo do destino é indispensável
Avaliar seguros anuais pode ser vantajoso para quem viaja com frequência
Guardar protocolos, comprovantes e registros facilita eventuais pedidos de indenização
Ter seguro não elimina direitos do consumidor diante de falhas da companhia aérea ou da agência

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