BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse à primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, que abaixasse o tom das críticas à China e evitasse uma escalada das tensões com Pequim, logo após um telefonema com o líder chinês, Xi Jinping, segundo o jornal The Wall Street Journal.
Tóquio e Pequim estão em rota de colisão após declaração de Takaichi de que mobilizaria as forças de defesa japonesas no caso hipotético de um ataque da China a Taiwan e a tropas americanas em meio ao eventual confronto. Pequim ficou enfurecida com a declaração da primeira-ministra, que não se retratou.
Segundo o Wall Street Journal, Xi passou metade da ligação com Trump na segunda-feira (24) reforçando a importância do controle chinês de Taiwan, ilha com governo autônomo que Pequim considera parte de seu território e não tem relações diplomáticas formais com os EUA, embora Washington mantenha estreita relação econômica e de defesa a legislação americana prevê inclusive que os EUA ajudem Taiwan militarmente.
Em seguida, Trump ligou para Takaichi e a aconselhou a não provocar Pequim sobre a questão de soberania de Taiwan. O presidente americano foi sutil e não pressionou a primeira-ministra para que ela se retratasse, de acordo com autoridades japonesas e uma autoridade americana que foram informadas da ligação, de acordo com o jornal.
As autoridades japonesas ouvidas pelo jornal americano afirmam que a mensagem foi preocupante e deixou evidente que Trump não quer colocar em risco a promessa arrancada de Xi de que a China compraria mais produtos agrícolas dos EUA.
Perguntada pelo jornal sobre a conversa entre Trump e Takaichi, a Casa Branca enviou uma declaração de Trump sobre o assunto. "A relação dos EUA com a China é muito boa, e também é muito boa para o Japão, que é nosso aliado próximo e prezado. Nós nos darmos bem com a China é ótimo para a China e os EUA. Na minha opinião, o presidente Xi vai aumentar substancialmente a compra de soja e outros produtos agrícolas, e qualquer coisa boa para nossos fazendeiros é bom para mim", diz a declaração, ainda segundo o Wall Street Journal.
"Nós assinamos acordos comerciais maravilhosos com o Japão, a China e a Coreia do Sul, além de muitas outras nações, e o mundo está em paz. Vamos manter isso assim!", acrescentou o americano.
Tóquio negou o tom da conversa entre Trump e Takaichi. Porta-voz da primeira-ministra afirmou ao jornal americano que não era correto que Trump aconselhou Takaichi a não provocar o regime chinês sobre a questão de Taiwan. A porta-voz disse que essa observação não foi feita na conversa.
Segundo a agência estatal Xinhua, durante a conversa entre Xi e Trump, o chinês afirmou que o "retorno de Taiwan à China" é parte fundamental da ordem internacional do pós-guerra e que Pequim e Washington precisam trabalhar juntos pela ordem pós-Segunda Guerra Mundial.
Trump, por sua vez, disse que ambos tiveram uma conversa "muito boa", durante a qual discutiram a Guerra na Ucrânia, o tráfico de fentanil e um acordo para os agricultores.
"Fizemos um bom e muito importante acordo para os nossos grandes agricultores e só vai melhorar. Nossa relação com a China é extremamente forte!", escreveu ele na plataforma Truth Social. Trump também afirmou ter aceitado o convite de Xi para visitar a China em abril, e que Xi visitaria os EUA ainda neste ano. O americano não mencionou Taiwan na publicação.