quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026
Esportes

Ancelotti fecha ano com lacunas em seleção que ganhou nova cara rumo à Copa

FolhaPress 19/11/2025 14:25

RIO DE JANEIRO, RJ (UOL/FOLHAPRESS) - O empate com a Tunísia foi o desfecho de um ano de reconstrução na seleção brasileira. Sob o comando de Carlo Ancelotti ao longo dos últimos seis meses, o Brasil entrou em um processo de correção de rota.

A virada do ano chegará com um padrão de jogo definido, referências reestabelecidas e algumas lacunas no time titular. De todo modo, o Brasil sai de 2025 melhor do que entrou.

HÁ VAGAS

Entre as dúvidas, as laterais. Entre as certezas, uma formação 4-2-4 que prioriza jogadores habilidosos na frente e fez o desempenho crescer quando utilizada.

No geral, Ancelotti pôde perceber em quem dá para confiar ou não na Copa do Mundo.

A lacuna nas laterais simboliza a instabilidade ainda persistente no time. Tanto que a solução mais recente foi apostar em Eder Militão na direita.

Na esquerda, Alex Sandro parece mais consolidado, assim como Douglas Santos. Mas não dá para dizer que a disputa acabou.

Ancelotti também vira o ano em busca de um atacante de referência. Vitor Roque foi o teste mais recente, até porque ele não conseguiu convocar Pedro, machucado.

No meio disso tudo, Neymar parece uma realidade cada vez mais distante para a seleção.

O QUE DEU CERTO?

Por mais que Ancelotti tenha pouco tempo na seleção brasileira, ele comandou a equipe em oito dos dez jogos do Brasil em 2025.

São oito partidas, quatro vitórias, dois empates e duas derrotas, com 14 gols marcados e cinco sofridos.

As vitórias sobre Senegal (2 a 0), Chile (3 a 0) e Coreia do Sul (5 a 0) trouxeram o que o Brasil teve de melhor.

Estêvão é o grande expoente do momento atual, embora o italiano tenha sido multicampeão no Real Madrid com o brilho de Vini Jr. e Rodrygo.

O retorno de Casemiro foi um ponto crucial para dar equilíbrio ao time, seja na defesa ou na construção de jogo. Bruno Guimarães se aproveitou muito da nova parceria e já forma uma dupla que parece inquestionável.

AS OSCILAÇÕES

Por causa dos testes -mas não só por eles—, o Brasil não ficou imune às oscilações com Ancelotti. Mas nada tão grave quanto o colapso na Argentina, que marcou a despedida de Dorival.

Perder para a Bolívia teve o elemento altitude. Perder para o Japão — sim, pela primeira vez na história - teve um amontoado de falhas individuais e coletivas em um segundo tempo tenebroso, com o time todo alterado.

Os empates abriram e encerraram o ano de Ancelotti: 0 a 0 com Equador, na estreia, e 1 a 1 com a Tunísia, esta semana.

EFEITO POLÍTICO E DE IMAGEM

A seleção ganhou uma nova em campo e também na relação com o torcedor. Até por isso a CBF se movimenta por um amistoso no Maracanã antes da viagem para a Copa.

Talvez essa onda de Ancelottismo faça até parte de um grau de tolerância maior com técnicos estrangeiros que chegam no mercado brasileiro — como defende Fernando Diniz, que foi interino nos seis jogos iniciais das Eliminatórias, ainda em 2023.

De todo modo, Ancelotti virou um ponto de estabilidade na tentativa de contagiar a seleção brasileira com sua liderança tranquila, padrão de jogo e um acerto final rumo à Copa do Mundo.

Na CBF que mudou de presidente após uma decisão judicial, a confirmação do italiano como substituto de Dorival Júnior — demitido ainda em março — foi o último ato da gestão Ednaldo Rodrigues.

A apresentação de Ancelotti, ao mesmo tempo, foi o pontapé inicial de um rebranding que começou no dia seguinte à eleição de Samir Xaud.

O cargo de técnico da seleção deixou de ser uma dor de cabeça e já se fala sobre renovação para o pós-Copa do Mundo.

Mas antes, é preciso saber o real valor de Ancelotti para a seleção. E não estamos falando dos R$ 5 milhões mensais de salário.

A Copa do Mundo dará essa resposta. Em março, contra França e Croácia, virão os dois últimos amistosos antes da lista final para o Mundial. O hexa vem?

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